Presidente da Fifa se desculpa por comentário sobre racismo

sexta-feira, 18 de novembro de 2011 10:25 BRST
 

LONDRES (Reuters) - O presidente da Fifa, Joseph Blatter, pediu desculpas nesta sexta-feira por seus comentários polêmicos sobre racismo no futebol, mas se recusou a renunciar ao cargo, num momento em que a imprensa britânica pressiona por sua demissão.

"(Essa declaração) machucou e eu continuo machucado porque não podia prever tal reação", disse o suíço, de 75 anos, em entrevista à emissora britânica BBC.

"Quando se tem algo que não foi totalmente correto, somente posso dizer que lamento por todas as pessoas afetadas por minhas declarações".

Blatter provocou indignação principalmente na Inglaterra ao sugerir, na quarta-feira, que os incidentes de racismo nos campos de futebol deveriam ser resolvidos com apertos de mão no encerramento das partidas.

No entanto, ele afirmou à BBC que não vai renunciar por causa dos comentários, que foram duramente criticados por jogadores como o zagueiro Rio Ferdinand, o ex-capitão da seleção inglesa David Beckham e o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

"Não posso renunciar", disse ele. "Por que deveria? Quando você está diante de um problema você tem de enfrentar o problema. Partir seria totalmente injusto e não compatível com meu espírito de luta, meu caráter, minha energia."

As polêmicas declarações de Blatter foram dadas na quarta-feira em duas entrevistas à CNN e à Al Jazeera, nas quais o dirigente disse que não há racismo nos gramados e que jogadores envolvidos em eventuais ofensas deveriam acertar as diferenças com um aperto de mãos ao final da partida.

As declarações de Blatter foram transmitidas no mesmo dia em que a Associação de Futebol da Inglaterra iniciou um processo contra o atacante uruguaio Luis Suárez, do Liverpool, devido a supostas ofensas raciais contra o zagueiro francês Patrice Evra, do Manchester United, no mês passado. Suárez nega a acusação.

A entidade também está investigando suspeitas de que John Terry, do Chelsea, teria proferido xingamentos raciais contra o zagueiro Anton Ferdinand, do Queens Park Rangers. Terry nega as acusações, que estão sendo investigadas também na esfera policial.

O ministro do Esporte britânico, Hugh Robertson, e o líder do sindicato dos jogadores de futebol ingleses, Gordon Taylor, defenderam na quinta-feira a renúncia de Blatter.

(Reportagem de Martyn Herman)