Jogadores da Itália entram no campo do mercado de títulos

domingo, 27 de novembro de 2011 15:27 BRST
 

ROMA (Reuters) - Os jogadores de futebol da Itália entraram na luta para salvar as finanças do país, estimulando os torcedores a comprar títulos do governo numa campanha que será lançada na segunda-feira destacando o quanto a crise saiu das páginas de negócios para atingir a vida cotidiana.

O noticiário italiano sido dominados há meses pela crise, fazendo com que termos como "spreads", "curvas de rendimento invertida" e "ratings" se tornassem familiares para telespectadores do país.

O Dia BTP, uma ideia do jornal Corriere della Sera e da associação dos bancos da Itália, irá permitir que os italianos comprem títulos do governo, conhecidos como BTPs, sem pagar a comissão normal dos bancos, e os jogadores de futebol estão apoiando a iniciativa.

"Alguns de nós foram selecionados a jogar pela Itália, mas todos nós apoiamos o nosso país acima de tudo, nós acreditamos em sua força", disse o ex-jogador da seleção italiana Damiano Tommasi, agora chefe da Associação dos Jogadores Italianos, segundo a agência de notícias ANSA.

"É por isso que estamos aderindo ao Dia BTP na segunda-feira."

Mesmo num país fanático por futebol, o esforço dos jogadores pode não ser suficiente para recuperar o mercado de títulos, mas cada pequena parte pode ajudar a levantar os 8 bilhões de euros (10,6 bilhões de euros) em BTPs que serão colocados no mercado na terça-feira.

Os mercados têm classificado os títulos italianos nos últimos meses como duvidosos, com a dívida pública equivalendo a 120 por cento do Produto Interno Bruto.

Mas os italianos, alguns dos poupadores mais cautelosos da Europa, tradicionalmente são compradores interessados nos papéis do governo, que representariam cerca de 20 por cento de sua riqueza total, contra apenas 1,6 por cento dos franceses e 7,8 por cento dos alemães, de acordo com a bolsa de valores italiana.

Isso é o que tem incentivado os esforços oficiais de explorar o mercado de varejo, com o Tesouro Nacional planejando vendas diretas de títulos para pequenos investidores numa plataforma online no ano que vem.

Bancos nacionais e outros investidores possuem mais de 50 por cento da dívida do governo italiano, deixando o país bem menos dependente de movimentações de investidores estrangeiros do que países mais endividados, como a Grécia.