DILMA ANO2-Infraestrutura é maior desafio na preparação da Copa

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011 18:15 BRST
 

Por Pedro Fonseca e Tatiana Ramil

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 16 Dez (Reuters) - Com Ronaldo como novo dirigente do comitê organizador e as diferenças entre o governo federal e a Fifa praticamente equacionadas no texto proposto da Lei Geral da Copa, os preparativos do Brasil para o Mundial de 2014 entram em 2012 tendo nas obras atrasadas o principal gargalo de uma preparação que demorou a engrenar e agora precisa correr contra o tempo.

O país custou a perceber que a Copa era "amanhã", conforme alertou o presidente da Fifa, Joseph Blatter, em março, e se viu diante de uma série de problemas a resolver este ano, desde disputas entre governo, Fifa e comitê organizador até os atrasos em obras de ampliação de aeroportos e melhorias no sistema de transportes das cidades-sedes.

A 18 meses da Copa das Confederações -evento teste que acontecerá um ano antes do Mundial- a prioridade precisa ser a conclusão das obras dos estádios e de infraestrutura.

"O primeiro grande desafio (para 2012) é a gente conseguir avançar na infraestrutura, começando principalmente pelos estádios. E o papel do governo é acompanhar que estejam num ritmo adequado", disse à Reuters Fernando Trevisan, consultor da Trevisan Gestão do Esporte. "O segundo desafio é o capital humano: como a gente vai preparar os profissionais para atender de forma adequada os turistas."

"Eu diria que estamos em estado de alerta. Muitas coisas já avançaram, mas num ritmo lento", acrescentou ele.

Desde a confirmação do Brasil como a sede do Mundial, em outubro de 2007, a maior preocupação da Fifa e do comitê organizador sempre foi que as condições dos aeroportos e a mobilidade urbana fossem adequadas para o fluxo de turistas e jornalistas durante a competição, o que está longe de ser resolvido, segundo o presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) em São Paulo, José Roberto Bernasconi.

"Dada a dimensão do descompasso entre a demanda e o que as estruturas existentes oferecem, acho que nós não teremos possibilidades a não ser fazer alguns arranjos, os puxadinhos como se diz na linguagem popular", afirmou o engenheiro, cujo sindicato acompanha minuciosamente todas as obras relacionadas ao Mundial desde o início da preparação.

O governo aposta na concessão dos aeroportos à iniciativa privada como fórmula para realizar os investimentos para adaptar os aeroportos ao crescimento da demanda por transporte aéreo, e reconhece que é preciso acelerar o ritmo. O leilão de concessão dos aeroportos de Cumbica (SP), Viracopos (SP) e Brasília foi mercado para 6 de fevereiro.   Continuação...