Punição a Suárez é recado ao mundo, diz sindicato de jogadores

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 15:48 BRST
 

Por Tim Collings

LONDRES, 21 Dez (Reuters) - O futebol inglês estabeleceu um marco na luta contra o racismo nesta quarta-feira quando, menos de 24 horas após o atacante do Liverpool Luis Suárez ter sido suspenso em oito partidas, autoridades anunciaram que o capitão do Chelsea John Terry será processado também por acusação de racismo.

Apesar de Terry ter se declarado inocente, com apoio do Chelsea, e o Liverpool ter protestado contra a decisão da Associação de Futebol da Inglaterra de punir o uruguaio Suárez, o chefe do sindicato dos jogadores de futebol da Grã-Bretanha disse que a suspensão ao uruguaio era "uma mensagem muito forte ao resto do mundo".

Falando antes do anúncio das autoridades britânicas de que o ex-capitão da Inglaterra Terry será julgado, o presidente da Associação dos Jogadores Profissionais (PFA, na sigla em inglês), Gordon Taylor, disse que estava claro que o racismo não pode ser tolerado no futebol inglês.

"Foi uma comissão independente com experiência em legislação e no futebol (que julgou o caso de Suárez), e eles devem ter provas claras, e isso manda uma mensagem forte ao resto do mundo", disse ele.

A Associação de Futebol da Inglaterra suspendeu Suárez em oito partidas e o multou em 40 mil libras por racismo contra o francês Patrice Evra, do Manchester United, durante um jogo do Campeonato Inglês em outubro. A entidade disse que Suárez usou "insultos" em referência à raça do jogador francês.

Suárez disse que, devido a diferenças culturais, ele não percebeu que a linguagem utilizada por ele em campo era considerada como racismo na Europa e que seu comportamento era totalmente aceitável em seu país de origem.

"Eu compreendo a questão das diferenças culturais", disse Taylor, segundo a imprensa britânica. "Mas, se vocês vem para este país, todos os jogadores devem saber não apenas as leis do jogo, mas também as leis desse território".

"Referir-se a alguém pela cor de sua pele é ofensivo - está claro. Ninguém pode dizer que a FA ignorou essa questão. Tendo em conta a repercussão neste país sobre os comentários de Blatter (o presidente da Fifa, Joseph Blatter), isso manda uma mensagem importante."

Blatter foi duramente criticado pela mídia britânica em novembro quando sugeriu, em duas entrevistas na TV, que ofensas racistas dentro de campo poderiam ser resolvidas entre os jogadores com um aperto de mão ao final das partidas. Ele depois pediu desculpas.