February 8, 2012 / 2:47 PM / 5 years ago

ENTREVISTA-Bruno escreve novo capítulo na história Senna

4 Min, DE LEITURA

Por Alan Baldwin

JEREZ, Espanha, 8 Fev (Reuters) - Os avós de Bruno Senna nunca comparecerem a uma corrida do neto e, enquanto se prepara para um reinicio na Fórmula 1 com a equipe Williams, ele não espera contar com a presença deles nos autódromos.

O piloto brasileiro, de 28 anos, diz que sua família o apoia totalmente em sua carreira, em que tenta seguir os passos de seu tio tricampeão mundial Ayrton, mas Bruno reconhece que o sentimento de dor do passado sempre estará presente.

Ayrton, considerado por muito críticos o melhor piloto de todos os tempos e certamente um dos mais carismáticos, morreu dentro de um carro da Williams após um acidente no Grande Prêmio de San Marino em 1994. O Brasil e a Fórmula 1 ficaram de luto com a morte do ídolo.

Ele conquistou seus três títulos pela McLaren, e aquele fim de semana trágico era apenas o seu terceiro pela Williams, que era a equipe atual campeã.

"Acredito que esse será um ótimo e bonito capítulo", disse um animado Bruno à Reuters, em entrevista no circuito de Jerez onde ele fará sua estreia pela Williams, na quinta-feira, nos testes de pré-temporada da F1.

"O início da história, para dizer a verdade. Muitas pessoas me perguntam como minha família se sentia sobre vir para a Williams e tudo mais. Todo mundo está super feliz. Meu avô (pai de Ayrton), todo mundo, porque todo mundo trabalhou muito para que isso acontecesse", acrescentou.

"Eles sabem que a equipe é forte, uma equipe com bom pedigree... espero que a gente possa voltar ao topo juntos."

A Williams oferece uma oportunidade para Bruno mostrar que merece estar na F1 por seu próprio talento e não apenas pelo sobrenome e os patrocínios que leva consigo.

condições Certas

Apesar de ter estreado na Fórmula 1 em 2010 com a pequena HRT e de ter disputado oito corridas pela Renault no ano passado, o teste de quinta-feira será o seu primeiro numa pré-temporada desde que disputou o campeonato da GP2 em 2008.

Ayrton certa vez disse a repórteres "se vocês me acham rápido, esperem para ver meu sobrinho Bruno", mas o mundo ainda está esperando isso se concretizar.

"Isso não é pressão", disse Bruno, quando lembrado das palavras que para sempre vão o perseguir. "Claro que o Ayrton me considerava muito bom no kart, mas ser rápido não é tudo que um piloto de verdade precisa."

"Um piloto de corridas precisa ser rápido, ser inteligente, ter bons relacionamentos e estar no lugar certo na hora certa. Há vários fatores que podem criar um piloto de sucesso", afirmou.

"Estamos tentando reunir todos eles, e acho que esse é o inícios das condições certas para mim."

A morte do tio interrompeu o início de carreira de Bruno, e ele levou 10 anos para voltar a uma pista. Em muitos aspectos, ele ainda está correndo atrás.

"Estou por ai (na F1) há dois anos, mas não correndo há dois anos. Corri oito provas e o restante foi apenas participar", disse ele.

"As vezes que tive a mesma oportunidade que os outros caras (de testar), e 2008 é um grande exemplo disso, eu estava lá. Fui competitivo em todas as provas, tive uma ou duas corridas ruins, mas todo mundo tem, e briguei pelo campeonato (da GP2)".

"Esse é o meu objetivo outra vez. Ter as mesmas chances que os outros caras, sentar no carro e ser competitivo, vencer os caras com quem estou competindo", disse Bruno, que ocupou na Williams a vaga do compatriota Rubens Barrichello, que ficou sem espaço na Fórmula 1.

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