ENTREVISTA-Proibição do véu afasta mulheres do futebol-príncipe

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 11:35 BRST
 

Por Patrick Johnston

CINGAPURA, 10 Fev (Reuters) - As mulheres muçulmanas estão se afastando do futebol por causa da proibição da Fifa ao hijab (véu islâmico), e isso deve aumentar se quem faz as regras não reverter a decisão em uma reunião no próximo mês, disse à Reuters o príncipe Ali Bin Al-Hussein, da Jordânia.

Embora esportes olímpicos como o rúgbi e o tae-kwon-do permitam que muçulmanas usem o véu nas competições, o futebol, o esporte mais popular do mundo, continua contrário a seu uso, citando preocupações com a segurança.

No ano passado, a equipe de futebol feminino do Irã não pôde participar do jogo de qualificação na segunda rodada para as Olimpíadas de 2012, contra a Jordânia, porque as jogadoras se recusaram a retirar seus hijabs antes do chute inicial.

O Irã estava no topo do seu grupo na primeira rodada de qualificações para a Olimpíada depois de não perder nenhuma vez, mas a nação asiática foi declarada derrotada por 3-0 na segunda rodada porque não se submeteu às regras, pondo um fim abrupto ao sonho de competir em Londres.

"É muito importante que todo mundo tenha a chance de praticar o esporte que ama e, obviamente, as leis dos jogos têm que ser emendadas para permitir isso", disse o príncipe Ali, vice-presidente da Fifa, à Reuters em uma entrevista em Cingapura.

"Acho que o futebol, como o esporte mais popular do mundo, acessível a todos, deveria assumir a liderança nessa questão, e é o que estamos tentando buscar e esperamos obter uma permissão da Ifab".

Fundada em 1886, a Junta Internacional da Associação de Futebol (Ifab), é a última instância legislativa do futebol, englobando quatro membros do organismo que governa o esporte mundialmente (a Fifa) e quatro das associações britânicas.

Ela fará uma reunião na Inglaterra em 3 de março, quando o príncipe Ali defenderá que as jogadoras usem o hijab com um velcro, desenhado na Holanda, que pode se abrir se for puxado. Ele espera que isso acabe com as preocupações de segurança.   Continuação...