ESPECIAL-Meninas da ginástica na corda bamba

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 16:26 BRST
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 24 Fev (Reuters) - Uma campeã mundial que se tornou ídolo nacional, um treinador estrangeiro vitorioso, um centro de treinamento estruturado e apelo popular. A ginástica artística feminina do Brasil parecia estar no caminho para se posicionar entre as melhores do mundo. Movimentos mal executados, no entanto, derrubaram a equipe, que perdeu o equilíbrio e dificilmente vai brigar por medalhas nos Jogos de Londres neste ano.

Embalada pelos saltos de Daiane dos Santos, campeã do mundo no solo em 2003 - título inédito para a ginástica brasileira - a modalidade se tornou uma febre no Brasil durante o Pan 2007 no Rio de Janeiro e conquistou espaço na mídia e entre a população, que se entusiasmou com um esporte que mistura habilidade, força, graça e emoção.

Nada disso foi adiante, no entanto. Para os Jogos de Londres deste ano a equipe de ginástica artística feminina só conseguiu se classificar na repescagem. As principais atletas brasileiras são as mesmas que representaram o país há quatro anos em Pequim, e Jade Barbosa, o destaque da equipe, já pode ser considerada veterana hoje com 20 anos.

Após chegar a uma inédita final por equipes na Olimpíada de 2008, que muitos apostavam seria a plataforma para o crescimento no ciclo olímpico seguinte, o treinador ucraniano Oleg Ostapenko deu por encerrado seu trabalho na seleção feminina, que ele comandava desde 2001. Além disso, o projeto de manter a equipe permanente foi desfeito mediante a troca de comando na presidência da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG).

Os dois acontecimentos, junto com a decisão da nova administração da confederação de tirar o foco da ginástica artística para incentivar outras modalidades, com destaque para a ginástica rítmica e também incluindo modalidades não olímpicas como ginástica aeróbica, foram as causas para as meninas do Brasil terem perdido sua posição entre as melhores do mundo, disseram pessoas ligadas ao esporte à Reuters.

A ginástica rítmica, no entanto, não conseguiu se classificar para os Jogos de Londres e ficará de fora de uma Olimpíada pela primeira vez após três participações consecutivas.

"Quem sempre teve retorno foi a ginástica artística. A ginástica artística tem mostrado muito resultado, tanto no masculino como no feminino. Precisa dar valor para quem tem título", disse a ginasta Daiane do Santos, que aos 29 anos se prepara para sua quarta e última Olimpíada, novamente como uma das principais integrantes da seleção brasileira. Mas agora sem o favoritismo que tinha antes de Atenas 2004, quando terminou em quinto lugar no solo.

"Acho que algumas coisas mudaram com a nova presidente (da CBG)... com tudo que aconteceu, o fim da seleção permanente", acrescentou Daiane, que ainda hoje lamenta o fim da equipe treinada por Oleg em Curitiba. Sob o comando do ucraniano o Brasil conseguiu os melhores resultados da história da modalidade: finais olímpicas em Pequim 2008 e Atenas 2004, o título mundial de Daiane e as medalhas em mundiais de Daniele Hypólito e Jade Barbosa, entre outras conquistas.   Continuação...

 
Ginasta da seleção brasileira Daniele Hypólito treina no Flamengo, o seu clube, com vistas aos Jogos Olímpicos de Londres deste ano. 24/02/2012 REUTERS/Sergio Moraes