Governo não quer mais Valcke como interlocutor

sábado, 3 de março de 2012 15:28 BRT
 

SÃO PAULO, 3 Mar (Reuters) - O governo brasileiro não aceita mais o secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, como seu interlocutor nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014.

A decisão, anunciada neste sábado pelo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, é uma reação aos comentários feitos por Valcke na sexta-feira, nos quais o secretário fez críticas à preparação do Brasil para o Mundial e disse que os organizadores precisavam levar um "chute no traseiro" para fazer a Copa acontecer.

"O governo não aceitará mais, no nível de governo, o secretário-geral como interlocutor", disse o ministro em entrevista coletiva neste sábado, em São Paulo.

"Vou comunicar o presidente da Fifa, senhor (Joseph) Blatter dessa decisão."

Aldo considerou as declarações de Valcke uma "ofensa" e as classificou como "inaceitáveis". O ministro disse ainda que, se o secretário-geral da Fifa vier ao Brasil no próximo dia 12, como é esperado, não será recebido pelas autoridades do governo brasileiro.

O ministro lembrou ainda que em visita ao Brasil em janeiro, Valcke foi recebido por autoridades do governo e fez elogios ao andamento das obras de estádios e de mobilidade urbana para a Copa.

"Nós temos tido uma atitude cordial, respeitosa, cuidadosa para dar aos visitantes representando a Fifa um ambiente de bem-estar. Agora, não podemos receber de volta um comentário que é ofensivo até numa relação pessoal", disse o ministro. "Não tem cabimento."

O ministro rebateu as críticas do secretário-geral da Fifa sobre atrasos nas obras de estádios e de mobilidade para o Mundial.

Aldo apresentou dados segundo os quais a maioria das arenas que receberão jogos da Copa está com obras mais adiantadas do que era esperado para este estágio da preparação e disse que das 51 obras de mobilidade urbana para o Mundial, 41 devem ficar prontas no ano que vem.   Continuação...

 
O secretário-geral da FIFA, Jerôme Valcke, comparece a uma coletiva de imprensa sobre os preparativos para a Copa do Mundo de 2014, em Brasilia. O governo brasileiro não aceita mais o secretário-geral da Fifa como seu interlocutor nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014. 16/01/2012   REUTERS/Ueslei Marcelino