5 de Março de 2012 / às 21:18 / 6 anos atrás

Parlamentares rebatem secretário da Fifa após críticas ao Brasil

BRASÍLIA, 5 Mar (Reuters) - O Parlamento brasileiro reagiu nesta segunda-feira e condenou os comentários do secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, que criticou a preparação do Brasil para a Copa do Mundo em 2014.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), considerou “indevida” a declaração de Valcke, que chegou a dizer que os organizadores do mundial precisavam levar um “chute no traseiro” para fazer a Copa acontecer.

Em resposta, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, declarou que o governo brasileiro não aceita o secretário-geral como interlocutor para a organização do evento esportivo.

“Eu acho que o ministro Aldo Rebelo não falou somente em seu nome, nem do Ministério, nem do governo brasileiro. Ele falou em nome de todo o povo brasileiro, do nosso sentimento dessa intromissão indevida. Da maneira grosseira como foi feita”, disse Sarney a jornalistas.

Para o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), as afirmações de Valcke não condizem com o cargo que ocupa. Maia classificou a declaração de “deselegante” e disse que pode ter faltado um “pedacinho de educação” ao secretário-geral.

“(É) uma declaração que merece, na verdade, que a gente dê um chute daqui pra lá, né, de volta, e que repudie qualquer tipo de declaração desse nível em relação à preparação da Copa pelo Brasil”, comentou o presidente a jornalistas.

Maia garantiu que a Casa trabalhará para aprovar rapidamente o projeto da Lei Geral da Copa, um conjunto de regras que regulamenta a realização da Copa em 2014 e da Copa das Confederações em 2013 no Brasil.

O próprio presidente da Comissão Especial da Câmara onde tramita o projeto, deputado Renan Filho (PMDB-AL), divulgou em seu site uma nota de repúdio aos comentários do secretário da Fifa.

Renan criticou a forma como Valcke manifestou sua insatisfação. De acordo com o presidente da Comissão, o secretário se expressou de maneira “insultuosa, descuidada e inapropriada”.

“É inadmissível que o secretário-geral faça uso de expressões inconsequentes, deselegantes e de linguajar chulo, sem considerar as responsabilidades que essa relação e seu cargo exigem”, disse o deputado na nota.

A Lei Geral da Copa tramita em comissão especial da Câmara e deve ser votada nesta semana. Na última terça-feira, os deputados chegaram a aprovar o texto-principal do projeto na comissão, mas a votação foi anulada por um erro regimental.

Depois de aprovada na comissão, a matéria ainda passará pelo plenário da Câmara e pelo Senado, para então seguir à sanção presidencial.

Há previsão de uma visita de Valcke ao Brasil a partir de 12 de março. Ele deve visitar obras no Recife e em Cuiabá, e participar de reunião do Comitê Organizador Local (COL) da Copa em Brasília.

Reportagem de Maria Carolina Marcello

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