8 de Março de 2012 / às 18:43 / em 6 anos

Jogos Olímpicos desafiam crise e se tornam evento mais rico

Por Keith Weir e Karolos Grohmann

LONDRES/BERLIM, 8 Mar (Reuters) - Bancos quebraram e países ficaram à beira do colapso desde que Pequim sediou os Jogos Olímpicos em 2008, mas as Olimpíadas desafiaram a desaceleração econômica, tornando-se um evento ainda mais rico em meio ao patrocínio recorde e receita televisiva.

A receita com a transmissão dos Jogos de Londres este ano e das Olimpíadas de Inverno em Vancouver em 2010 vai totalizar 3,9 bilhões de dólares, um aumento de 50 por cento em relação ao período anterior de quatro anos.

Além disso, as 11 empresas internacionais que patrocinam as Olimpíadas pagaram quase 1 bilhão de dólares pela chance de comercializar seus produtos associados aos Jogos.

Apesar das turbulências na economia global, as Olimpíadas se beneficiam da forte expansão dos mercados de televisão e globalização do comércio, além de prometerem drama humano perante uma enorme audiência.

“Se você quiser considerar uma marca, é uma marca que tem como apelo as emoções mais fortes”, afirmou Paul Deighton, ex-banqueiro do Goldman Sachs que atualmente é presidente-executivo do Comitê de Organização para os Jogos de Londres.

“Faz as pessoas chorarem de emoção. São grandes histórias emocionantes”, acrescentou.

MAIS RÁPIDO, MAIOR E MAIS RICO

Críticos afirmam que a comercialização dos Jogos, um processo que se acelerou desde que Los Angeles sediou o evento em 1984, separou as Olimpíadas dos ideais de promover paz, união e educação.

O patrocínio do evento traz controvérsias, como no caso da empresa norte-americana Dow Chemical, que assinou contrato de apoio aos Jogos há dois anos e vai pagar um adicional para esconder com material decorativo alguns dos tubos ao redor do Estádio Olímpico de Londres.

O envolvimento da Dow reacendeu a irritação sobre a compensação oferecida pelo desastre de 1984 na Índia em uma fábrica de pesticidas controlada por uma subsidiária da Union Carbide. A Dow comprou a Union Carbide em 2001.

O Comitê Olímpico Internacional (COI), órgão sediado na Suíça que supervisiona os Jogos, também foi forçado a justificar o acúmulo de reservas em dinheiro de quase 600 milhões de dólares -dinheiro que alega servir como proteção contra um eventual cancelamento dos Jogos.

Os britânicos pagaram 9,3 bilhões de libras (14,8 bilhões de dólares) pelas Olimpíadas em uma época de cortes de gastos estatais severos e ficarão curiosos para ver para onde a receita com os Jogos irá.

O COI redistribui mais de 90 por cento de sua receita com marketing, dividindo entre o anfitrião, federações internacionais de esporte e mais de 200 países que enviam atletas para o evento.

Londres pode usar seu dinheiro para pagar a conta de estar sediando os Jogos, mas assumiu sozinho a construção de novos estádios em uma área ao leste da capital.

“O modelo financeiro é que o governo paga pelos ativos que ficam lá no longo prazo e o COI efetivamente paga pelo que está na comissão organizadora... que são as despesas dos Jogos”, disse Deighton.

Deighton espera que Londres não tenha prejuízo com o custo de 2 bilhões de libras para fazer o evento que vai de 27 de julho a 12 de agosto.

IMPACTO NA TELEVISÃO

O sucesso da máquina de marketing do COI permitiu que a entidade dê a cada país um adicional de 100 mil dólares este ano para ajudar nos preparativos para os Jogos e minimizar o impacto da crise econômica global.

Segundo o COI, seu planejamento de longo prazo dá segurança contra as turbulências econômicas dos últimos anos.

“A maior parte dos contratos para os Jogos de 2010 e 2012 já estava definida em 2008”, disse o chefe financeiro do comitê, Richard Carrion, à Reuters.

As finanças dos Jogos, assim como em qualquer evento esportivo, foram transformadas pelo apetite insaciável das redes de televisão por conteúdo ao vivo. A rede norte-americana NBC, controlada pela Comcast, pagou cerca de 2 bilhões de dólares pelos direitos dos jogos de inverno de 2010 e os de verão de 2012.

Tais acordos ajudaram o COI a triplicar suas reservas ao longo da década desde que o belga Jacques Rogge, ex-cirurgião e iatista olímpico, assumiu como presidente.

O porto-riquenho Carrion, visto como potencial sucessor de Rogge em 2013, disse que as reservas foram acumuladas como proteção caso os Jogos não possam ser realizados.

As Olimpíadas foram suspensas durante a Segunda Guerra Mundial, retornando com os Jogos de 1948 em Londres. Eles são realizados a cada quatro anos desde então, embora boicotes da Guerra Fria em 1980 em Moscou e quatro anos depois em Los Angeles tenham diminuído o número de atletas e ameaçado o futuro do movimento.

Além da transmissão, o COI tem um forte fluxo de renda proveniente de seus principais patrocinadores, 11 corporações globais que assinam contratos de longo prazo para associar suas marcas às Olimpíadas.

O chefe de marketing do COI, Gerhard Heiberg, está satisfeito em manter uma fórmula que provavelmente atrairá receitas de mais de 1 bilhão de dólares para 2014-16, vendo espaço para mais um patrocinador.

“Os patrocinadores parecem estar felizes com a configuração atual do programa”, disse Heiberg à Reuters. “Ninguém apareceu com uma alternativa clara. Por isso, faremos ajustes e não uma revolução. Doze, isso será o máximo. Doze são suficientes.”

Heiberg, no entanto, espera que as empresas dos mercados emergentes tenham intenção de apoiar o programa.

“O mundo se abriu mais. Os Jogos estarão indo para o Rio de Janeiro e a América do Sul pela primeira vez em 2016. Em algum momento, temos que dar os Jogos para a África.”

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