9 de Março de 2012 / às 20:18 / 6 anos atrás

Economia faz do Brasil reduto dos jogadores latinos

Por Esteban Israel

SANTOS, 9 Mar (Reuters) - No treino do Santos Futebol Clube, ninguém fala sobre fluxos de capital ou sobre o risco de moratória da Grécia.

Mas, entre chutes a gol e toques de cabeça, todos sabem que a valorização do real e a recessão na Europa estão atraindo um número recorde de jogadores estrangeiros para o Brasil, e alterando a fisionomia de um futebol que historicamente foi exportador de talentos.

“Surgiu a oportunidade de vir para o Brasil e não pensei duas vezes”, disse à Reuters o uruguaio Jorge Fucile, recém-trazido por empréstimo do Porto, de Portugal, para o clube paulista.

“O Brasil é um mercado forte. Os clubes estão contratando jogadores internacionais de boa qualidade”, disse o lateral de 27 anos.

A consultoria Pluri diz que o número de jogadores de outros países da América Latina no futebol brasileiro cresceu 31 por cento no começo da temporada de 2012. E Fernando Pinto Ferreira, autor do estudo, calcula que ainda haja espaço para que os rostos estrangeiros cresçam outros 40 por cento.

“A Europa está menos receptiva, e o Brasil é um mercado em expansão, com uma moeda forte, que torna o jogador latino-americano mais barato”, disse o consultor, falando de Curitiba.

Fernando Lúcio da Costa, diretor técnico do Internacional de Porto Alegre, um dos clubes com mais estrangeiros no Brasil, disse que “praticamente todos os dias a gente recebe ofertas de três ou quatro jogadores sul-americanos”.

“A economia permite que o Brasil brigue pelos grandes jogadores latino-americanos”, explicou.

SEXTO MERCADO

No começo dessa temporada, havia 38 jogadores estrangeiros no Brasil, dos quais 95 por cento sul-americanos. Metade dos “gringos” é de argentinos, como Andrés d‘Alessandro, ídolo do Inter.

“O Brasil está muito atraente. Obviamente não é a Europa, mas economicamente está crescendo muito, e é o futebol mais vistoso da América Latina”, disse o meia, trazido por 5 milhões de euros.

Nos gramados brasileiros, escutam-se também os sotaques de Uruguai, Paraguai, Colômbia, Chile, Peru, Equador e Bolívia.

A empresa de auditoria brasileira BDO RCS calcula que o Brasil tenha se tornando em 2011 o sexto maior mercado mundial do futebol, superando a Holanda, com um faturamento em torno de 2,5 bilhões de reais para os seus clubes.

“Nossa projeção é que em 2014 tomemos o lugar da França com um mercado acima dos 3 bilhões de reais”, disse Amir Somoggi, diretor de esportes da BDO RCS.

A empresa estima que os clubes faturem atualmente menos de metade da liga inglesa, maior mercado do planeta.

Especialista dizem que o negócio futebolístico brasileiro também deve receber um forte impulso com a realização da Copa de 2014, cujo investimento de 13 bilhões de dólares em infraestrutura melhorará as desastrosas instalações esportivas.

“A Copa é nossa grande oportunidade. Melhorar os estádios vai permitir um aumento do faturamento”, disse o economista Antônio Carlos Kfouri, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. “O futebol brasileiro se encaminha para se parecer com o europeu.”

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