Economia faz do Brasil reduto dos jogadores latinos

sexta-feira, 9 de março de 2012 17:15 BRT
 

Por Esteban Israel

SANTOS, 9 Mar (Reuters) - No treino do Santos Futebol Clube, ninguém fala sobre fluxos de capital ou sobre o risco de moratória da Grécia.

Mas, entre chutes a gol e toques de cabeça, todos sabem que a valorização do real e a recessão na Europa estão atraindo um número recorde de jogadores estrangeiros para o Brasil, e alterando a fisionomia de um futebol que historicamente foi exportador de talentos.

"Surgiu a oportunidade de vir para o Brasil e não pensei duas vezes", disse à Reuters o uruguaio Jorge Fucile, recém-trazido por empréstimo do Porto, de Portugal, para o clube paulista.

"O Brasil é um mercado forte. Os clubes estão contratando jogadores internacionais de boa qualidade", disse o lateral de 27 anos.

A consultoria Pluri diz que o número de jogadores de outros países da América Latina no futebol brasileiro cresceu 31 por cento no começo da temporada de 2012. E Fernando Pinto Ferreira, autor do estudo, calcula que ainda haja espaço para que os rostos estrangeiros cresçam outros 40 por cento.

"A Europa está menos receptiva, e o Brasil é um mercado em expansão, com uma moeda forte, que torna o jogador latino-americano mais barato", disse o consultor, falando de Curitiba.

Fernando Lúcio da Costa, diretor técnico do Internacional de Porto Alegre, um dos clubes com mais estrangeiros no Brasil, disse que "praticamente todos os dias a gente recebe ofertas de três ou quatro jogadores sul-americanos".

"A economia permite que o Brasil brigue pelos grandes jogadores latino-americanos", explicou.   Continuação...