Gestão de Teixeira na CBF foi marcada por denúncias

segunda-feira, 12 de março de 2012 16:06 BRT
 

SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - Homem forte do futebol brasileiro há 23 anos, Ricardo Teixeira deixa o comando do esporte mais popular do país após uma série de acusações de irregularidades, títulos e a pouco mais de dois anos da Copa do Mundo em casa.

Se conseguiu colecionar poderes ao longo do tempo em que ficou à frente da Confederação Brasileira de Futebol, nos últimos anos o dirigente perdeu força.

Teixeira, de 64 anos, assumiu a presidência da CBF em 1989 e teve a gestão manchada por denúncias de corrupção. Uma das mais graves foi o caso da falência da antiga parceira de marketing da Fifa, a ISL.

O brasileiro estaria entre dirigentes que supostamente receberam propina da ISL nos anos 1990 para garantir contratos lucrativos de direitos de TV e patrocínios de Copa do Mundo à empresa. A ISL faliu em 2001. A Fifa, que tem Teixeira em seu comitê executivo, prometeu em outubro divulgar os dados de um processo na Justiça suíça sobre o tema.

No mesmo mês, a Polícia Federal brasileira abriu uma investigação contra Teixeira por suspeita de crimes de remessa ilegal de dinheiro ao Brasil e lavagem de dinheiro relacionados ao caso da ISL.

Teixeira negou as acusações.

Nesta segunda-feira, três dias após anunciar uma licença da CBF por motivos de saúde, o dirigente divulgou uma carta na qual renuncia à presidência da CBF e também comunica a saída do Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014.

"Presidir paixões não é uma tarefa fácil em nosso país. Futebol é associado a duas imagens: talento e desorganização. Quando ganhamos exaltam o talento, quando perdemos, a desorganização. Fiz o que estava ao meu alcance, renunciei à saúde. Fui criticado nas derrotas e subvalorizado nas vitórias", disse Teixeira em carta lida por José Maria Marin, que assumirá a chefia da CBF até 2015.

O caso da ISL, prestes a explodir, seria um dos motivos para a saída de Teixeira do cargo. Com os laços estremecidos com o chefe da Fifa, Joseph Blatter, o brasileiro também não tinha bom relacionamento com a presidente Dilma Rousseff. Com isso, ele estaria sendo pressionado por Fifa e governo a deixar o comando do futebol brasileiro.   Continuação...

 
O então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira ouve uma pergunta durante uma coletiva no Rio de Janeiro, 1o de dezembro de 2011. REUTERS/Sérgio Moraes