Blatter será interlocutor da Fifa; Valcke está "suspenso"--fonte

sexta-feira, 16 de março de 2012 18:53 BRT
 

Por Ana Flor

BRASÍLIA, 16 Mar (Reuters) - Brasil e Fifa decidiram que quem irá coordenar as negociações sobre a Copa do Mundo De 2014 por parte da entidade internacional será seu presidente, Joseph Blatter, enquanto o negociador até o momento, Jérôme Valcke, ficará afastado por tempo indefinido, segundo uma fonte do Planalto.

A decisão, selada nesta sexta-feira em encontro entre Blatter e a presidente Dilma Rousseff, foi tomada em jantar de trabalho na quinta, na casa do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, do qual participaram Blatter e o ex-jogador Ronaldo, integrante do conselho do Comitê Organizador Local (COL). Ficou acertado que o Brasil daria todas as garantias para a realização do Mundial, enquanto a Fifa deixaria Valcke afastado.

"Na linguagem do futebol, diríamos que Valcke foi 'suspenso'... O tempo dirá se ele (Valcke) voltará a ser o interlocutor do Brasil", afirmou à Reuters uma fonte do Planalto, que pediu anonimato.

As relações entre o Brasil e a Fifa enfrentam um momento conturbado diante do impasse para a aprovação da Lei Geral da Copa, e foram agravadas pela declaração de Valcke, que sugeriu um "chute no traseiro" do país para realizar o Mundial.

A fala gerou uma reação forte do governo brasileiro, que anunciou veto à atuação do dirigente como intermediador entre o país e a Fifa.

A sinalização de concordância da Fifa com a exigência brasileira veio nas palavras de Blatter aos jornalistas logo depois do encontro com Dilma: "Vamos nos ver mais vezes".

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), afirmou à Reuters que durante almoço com Blatter, Pelé e parlamentares, o dirigente da Fifa garantiu que "virá muitas vezes ao Brasil".

"Ele (Blatter) garantiu que não há nada que vá atrapalhar a realização da Copa do Mundo no Brasil", afirmou Maia.

Ainda segundo o relato do presidente da Câmara, Blatter disse estar confiante que o Brasil terá toda a infraestrutura necessária pronta antes da Copa e citou que em edições anteriores, até mesmo na Alemanha (2006), havia discussão sobre o ritmo das obras.