ENTREVISTA-Brasil usa Carnaval como garantia de sucesso na Copa

sexta-feira, 23 de março de 2012 11:59 BRT
 

Por Hugo Bachega e Peter Murphy

BRASÍLIA, 23 Mar (Reuters) - Carnaval é bem mais que samba para o Brasil, e a experiência em receber milhares de turistas na popular festa está sendo usada pelo país como garantia de sucesso na organização da Copa do Mundo de 2014.

Na certeza de que samba e futebol combinam, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, destacou a capacidade do Brasil em realizar grandes eventos e assegurou que o cronograma para a realização do Mundial no país está dentro do prazo, apesar de sucessivas críticas da Fifa quanto a atrasos.

"O Brasil nunca deixou nada para a última hora. O europeu tem uma forma de ver o mundo que muitas vezes não compreende civilizações que não coincidem com a sua", disse o ministro em entrevista à Reuters na quinta-feira.

"Se você vai numa escola de samba, provavelmente uma semana antes do Carnaval, ele (europeu) não vai acreditar que aquilo vai resultar num desfile tão preciso, tão harmônico e tão exato como o que acontece nesse evento", afirmou.

A infraestrutura brasileira, como aeroportos, hotéis e mobilidade urbana, tem sido alvo frequente das críticas da Fifa.

O secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, que atuava como intermediador entre a Fifa e o país, chegou a dizer que o Brasil precisava de um "chute no traseiro" para acelerar as obras e fazer o evento acontecer. A declaração abalou a relação entre as partes.

De 47 obras de mobilidade contratadas, somente oito haviam sido desembolsadas até fevereiro, segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU). Nenhum dos oito projetos de modernização de portos havia começado.

Apesar dos atrasos, Aldo negou que o governo esteja revendo projetos que não são prioritários para o evento e disse que o Brasil está fazendo "todo o esforço" para cumpri-los.   Continuação...

 
Ministro dos Transportes, Aldo Rebelo, participa de cerimônia para comemorar história do Partido Comunista do Brasil, na Câmara dos Deputados, em Brasília. 21/03/2012  REUTERS/Ueslei Marcelino