23 de Março de 2012 / às 13:52 / em 6 anos

ENTREVISTA-Brasil usa Carnaval como garantia de sucesso na Copa

Por Hugo Bachega e Peter Murphy

Ministro dos Transportes, Aldo Rebelo, participa de cerimônia para comemorar história do Partido Comunista do Brasil, na Câmara dos Deputados, em Brasília. 21/03/2012 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA, 23 Mar (Reuters) - Carnaval é bem mais que samba para o Brasil, e a experiência em receber milhares de turistas na popular festa está sendo usada pelo país como garantia de sucesso na organização da Copa do Mundo de 2014.

Na certeza de que samba e futebol combinam, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, destacou a capacidade do Brasil em realizar grandes eventos e assegurou que o cronograma para a realização do Mundial no país está dentro do prazo, apesar de sucessivas críticas da Fifa quanto a atrasos.

“O Brasil nunca deixou nada para a última hora. O europeu tem uma forma de ver o mundo que muitas vezes não compreende civilizações que não coincidem com a sua”, disse o ministro em entrevista à Reuters na quinta-feira.

“Se você vai numa escola de samba, provavelmente uma semana antes do Carnaval, ele (europeu) não vai acreditar que aquilo vai resultar num desfile tão preciso, tão harmônico e tão exato como o que acontece nesse evento”, afirmou.

A infraestrutura brasileira, como aeroportos, hotéis e mobilidade urbana, tem sido alvo frequente das críticas da Fifa.

O secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, que atuava como intermediador entre a Fifa e o país, chegou a dizer que o Brasil precisava de um “chute no traseiro” para acelerar as obras e fazer o evento acontecer. A declaração abalou a relação entre as partes.

De 47 obras de mobilidade contratadas, somente oito haviam sido desembolsadas até fevereiro, segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU). Nenhum dos oito projetos de modernização de portos havia começado.

Apesar dos atrasos, Aldo negou que o governo esteja revendo projetos que não são prioritários para o evento e disse que o Brasil está fazendo “todo o esforço” para cumpri-los.

“O público que vem para o Brasil para a Copa do Mundo é muito pouco perto, por exemplo, do que chega ao Brasil para o Carnaval”, disse o ministro.

“Acabamos de realizar o Carnaval no Rio de Janeiro, Salvador, Recife, com um número muito maior de turistas do que os que estarão presentes nestas cidades para a Copa do Mundo.”

A Copa deve atrair 600 mil turistas estrangeiros, segundo projeção do Ministério do Turismo. Destes, 413 mil devem ter como destino o Rio de Janeiro. Somente no último Carnaval, a capital fluminense recebeu cerca de 400 mil viajantes internacionais, de acordo com dados da Riotur.

Em relação aos estádios, todos estão dentro do cronograma, segundo o ministro, que disse que “alguns” ficarão prontos até dezembro deste ano, mas não revelou quantos.

No ano passado, a presidente Dilma Rousseff havia estimado que nove dos 12 estádios estariam concluídos até o final de 2012. Mas, até o início deste mês, somente cinco já haviam concluído 50 por cento de suas obras, segundo relatório do Ministério do Esporte.

Perguntado sobre a obra mais preocupante, Aldo saiu pela lateral: “A seleção, essa, de fato, é uma obra muito mais complexa... São talentos que você não cria do dia para noite”, disse.

VALCKE: IRRELEVANTE

O episódio envolvendo Valcke estremeceu a relação entre a Fifa e o Brasil, que anunciou veto à atuação do dirigente europeu como interlocutor. Dilma recebeu na semana passada o chefe da Fifa, Joseph Blatter, para tentar aparar as arestas na relação.

Aldo evitou comentar a polêmica e reafirmou que a questão, agora, pertence à Fifa.

“Não julgo esta questão relevante”, disse. “Eu considero que aquele episódio deve ser superado. Foi um gesto de má educação e que foi censurado por mim.”

A fala causou o cancelamento de visita de comitiva da Fifa ao Brasil, que seria chefiada por Valcke este mês. Uma nova data ainda não foi marcada, disse o ministro.

A entidade também critica a demora na aprovação da Lei Geral da Copa, conjunto de regras que define a realização do Mundial de 2014 e a Copa das Confederações em 2013.

O projeto, que ainda precisa de aprovação na Câmara e no Senado, enfrenta resistência entre parlamentares, que são contrários à liberação da comercialização e consumo de bebidas alcoólicas nos estádios. Além disso, parlamentares descontentes com o Planalto têm usado a votação como forma de pressão contra o governo.

A questão da comercialização de bebidas é de interesse da Fifa, que tem entre seus patrocinadores uma cervejaria.

“Eu tenho a tranquilidade de que a Lei Geral da Copa será aprovada, o Brasil cumprirá seus compromissos e esse elemento da realização da Copa será assegurado pelas instituições brasileiras”, disse.

No encontro com Blatter na semana passada, a presidente Dilma assegurou que o Brasil cumprirá com todas as garantias acertadas durante a escolha do país-sede da Copa.

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