Kitajima encara a dor em busca da terceira dobradinha olímpica

segunda-feira, 9 de abril de 2012 09:52 BRT
 

Por Alastair Himmer

TÓQUIO, 9 Abr (Reuters) - Quem via Kosuke Kitajima se contorcendo e ofegante no Campeonato Japonês de Natação tinha a impressão de que se tratava de um homem lutando pela vida. Mas estaria enganado.

O atleta de 29 anos superou as dores generalizadas no seu corpo e se tornou na semana passada o primeiro nadador japonês a garantir vaga na Olimpíada de Londres.

Ganhador das provas olímpicas dos 100 e 200 metros peito nos Jogos de 2004 e 2008, Kitajima quebrou o seu próprio recorde ao nadar os 100 metros em 58s90, em Tóquio. Em seguida, superou novamente o rival Ryo Tateishi na prova dos 200 metros. Saiu da água apontando para o alto, e com o rosto transfigurado de excitação, alegria e dor.

Os tempos dele (2min08s00) e de Tateishi (2min08s17) foram melhores do que o resultado do húngaro Daniel Gyurta ao vencer a mesma prova no Mundial de Xangai do ano passado.

O tricampeonato olímpico nas provas dos 100 e 200 metros peito em 2012 seria um feito sobre-humano para Kitajima, que flertou com a aposentadoria depois da Olimpíada de 2008 em Pequim.

"A gente quase espera isso de Kosuke - na sua idade ainda estar melhorando seus tempos é inacreditável", disse o técnico japonês Norimasa Hirai. "Esses dois tempos teriam ganhado o ouro em Xangai, então tomara que ambos o levem ao pódio em Londres."

É verdade que o tempo de Kitajima nos 100 metros está excepcional, mas ele pode melhorar nos 50 metros finais na prova mais longa.

"Se ele conseguir forçar nos últimos 50 metros não há razão para ele não ganhar o ouro novamente nos 100 e 200", disse Hirai. "E se ele ganhar os 100 sua confiança vai estar a toda. Os 100 serão a chave. Ele pode levar esse impulso para os 200."

Chacoalhando-se todo e estendendo o pescoço como um pugilista antes da luta, Kitajima superou a barreira da dor para cumprir seu dever no torneio nacional.

"Tem sido brutal", disse Kitajima, tentando recuperar o fôlego. "Mas treinei muito, me empenhei, porque é dolorido, e fiz o trabalho. Agora é conseguir tempos mais rápidos, chegando ao auge para poder nadar em tempos de recorde mundial na Olimpíada. Definitivamente não será fácil."