Não entrei para competir, entrei para ganhar, diz Zagallo

sexta-feira, 20 de abril de 2012 18:27 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 20 Abr (Reuters) - Mário Jorge Zagallo demonstrou nesta sexta-feira estar decepcionado por não ter sido o único indicado à vice-presidência da região Sudeste da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e por ter de enfrentar a concorrência do presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero.

O ex-treinador, jogador e auxiliar-técnico da seleção brasileira foi nomeado pela Federação de Futebol do Rio de Janeiro (FFERJ) para ocupar o cargo de vice-presidente, mas Del Nero decidiu também concorrer, rompendo um acordo de alternância com os cariocas.

"Não era para ter acontecido uma competição, eu não entrei para competir. Eu entrei para ganhar, porque era a vez da federação do Rio de Janeiro indicar um nome. Indicaram o meu nome e eu já estava eleito, mas as coisas mudaram porque faltou (cumprir) a palavra", disse Zagallo, de 80 anos, em entrevista à Reuters TV em sua casa.

A vaga de vice da região Sudeste da CBF está aberta desde que José Maria Marin assumiu a presidência no lugar de Ricardo Teixeira, que renunciou em março em meio a uma série de denúncias de irregularidades. Um acordo tácito entre Rio e São Paulo estipulava que agora seria a vez carioca de indicar o novo vice.

No entanto, Del Nero, que substituiu Teixeira no comitê executivo da Fifa, apresentou seu próprio nome para concorrer com Zagallo. Ele é ligado a Marin e considerado o favorito para ser indicado vice.

Nem mesmo os presidentes da chamada ala rebelde da CBF, que é integrada por Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia, além do Rio de Janeiro, têm a convicção de que Zagallo teria condições de assumir a entidade em caso de saída de Marin antes do fim do mandato, em 2015.

Qualquer que seja o escolhido, em eleição ou ato administrativo da presidência, este passará a ser o vice-presidente mais velho dentre os cinco na CBF. Isso significa que em caso de saída definitiva de Marin, o vencedor assumiria o posto mais alto do futebol brasileiro.

Zagallo, que participou de quatro títulos mundiais pela seleção brasileira -como jogador em 1958 e 1962, técnico em 1970 e auxiliar-técnico em 1994- defendeu sua experiência como uma forma de contribuir para o sucesso da seleção.

"A minha vida foi sempre uma colaboração por tudo que eu conquistei. Um campeonato, um bi, um tri, um tetra, fora Copa das Confederações, Copa América", disse.   Continuação...