10 de Maio de 2012 / às 21:04 / 5 anos atrás

ENTREVISTA-Fome argentina alimenta basquete brasileiro em Londres

O técnico do Brasil, Rubén Magnano, fala com seus jogadores durante a final do Campeonato FIBA das Américas contra a Argentina em Mar del Plata, 11 de setembro de 2011.Andres Staff

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 10 Mai (Reuters) - Superar adversidades, jogar em equipe, jamais pensar em perder e ter fome de medalha. As frases podem parecer clichês esportivos, mas vindas de um técnico campeão olímpico certamente terão peso diferente para a seleção masculina de basquete do Brasil em seu retorno a uma Olimpíada após 16 anos.

O argentino Rubén Magnano, considerado um "fenômeno" no banco de reservas e que tem no currículo a medalha de ouro com a Argentina nos Jogos de Atenas 2004, busca repetir no time brasileiro os mesmos ingredientes que o levaram ao sucesso à frente da seleção de seu país. E não vê por que não conseguir.

"Se eu consigo ser competitivo no meu treinamento, as possibilidades estão abertas para conseguir uma medalha", disse Magnano em entrevista à Reuters.

A classificação para uma Olimpíada pela primeira vez desde 1996, conseguida após uma vitória sobre a Argentina na casa dos adversários no pré-olímpico do ano passado, encerrou a pior fase da história do basquete masculino brasileiro.

Magnano agora acredita que o país pode chegar ao pódio olímpico pela primeira vez desde o bronze de 1964 (também foi 3o em 1948 e 1960) se colocar em prática os mesmos princípios que fundamentaram a "geração de ouro" do basquete em seu país.

"A primeira coisa que vem na cabeça é a fome daquela equipe por uma medalha. Claro que existem condições técnicas e táticas, mas sobretudo a fome que eles tinham para brigar pela medalha", disse Magnano, em entrevista por telefone de São Paulo, ao citar uma característica marcante daquela seleção argentina.

Perguntado se o Brasil já deu mostras dessa determinação em busca da medalha, o técnico foi enfático. "Claro que sim. O pré-olímpico foi uma mostra. Ficou claro como se joga em equipe, o que sente uma equipe, foi um exemplo."

"Sem dúvida uma vez classificados eles já começaram a sonhar com uma boa possibilidade dentro dos Jogos Olímpicos de Londres. Para eles vai ser uma competição totalmente nova, mas isso vai alimentar essa fome que temos que ter para brigar por medalhas."

JOGADORES DA NBA

A boa campanha brasileira no pré-olímpico foi conseguida com um time solidário, de briga dentro do garrafão, e sem nenhuma estrela de brilho individual.

Tiago Splitter foi o único dos quatro atletas brasileiros que atuam na NBA a representar a seleção. Anderson Varejão se apresentou mas foi cortado por lesão, enquanto Nenê e Leandrinho recusaram a convocação.

A classificação olímpica sem esses jogadores despertou um debate sobre chamá-los ou não para os Jogos. O ex-jogador Oscar Schmidt, ícone do esporte nacional com cinco Olimpíadas disputadas e que descreve Magnano como um "fenômeno", é uma das vozes mais firmes contra a convocação.

Magnano deixou as portas abertas a todos desde o início, mas vai manter o mistério até o dia 17 de maio, quando anunciará os jogadores convocados para iniciar a preparação olímpica.

"Acho que o Brasil não está em condições de ficar fechando portas, e sim de avaliar caso por caso, tranquilamente e inteligentemente", disse o técnico, que deve chamar 16 jogadores para os treinamentos e os torneios preparatórios para a Olimpíada (só 12 seguirão para os Jogos).

REENCONTRO

Dentro de quadra, independentemente do time que for montado, o treinador quer ver em Londres o mesmo estilo de jogo do pré-olímpico. Força na defesa, principalmente dentro do garrafão, e os pontos divididos praticamente entre todos os jogadores.

"Não deve mudar absolutamente nada o que fizeram no pré-olímpico. Essa deve ser a característica de jogo, jogar ressaltando sempre o valor da equipe por cima dos talentos individuais", disse.

Em Londres, o Brasil terá como objetivo na primeira fase avançar pelo menos em terceiro do grupo para fugir de um eventual confronto nas quartas de final com os EUA, que devem vencer a outra chave.

Homenageado pela torcida adversária quando comandou o Brasil contra a Argentina no pré-olímpico, Magnano torce por um reencontro com seu ex-time. Um eventual jogo em Londres poderia acontecer nas semifinais.

"Se a gente cruzar com a Argentina quer dizer que até este momento teremos feito um bom trabalho. Tomara que a gente enfrente a Argentina", disse.

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