18 de Maio de 2012 / às 17:23 / 5 anos atrás

ENTREVISTA-Para Scheidt, lidar bem com pressão é chave para sucesso

Robert Scheidt comemora ao lado de Bruno Prada a conquista da medalha de prata na Classe Star nos Jogos de Pequim-2008. REUTERS/Pascal Lauener

Por Tatiana Ramil

SÃO PAULO, 18 Mai (Reuters) - Dono de duas medalhas de ouro e duas de prata em Olimpíadas, o iatista Robert Scheidt chega aos Jogos de Londres como favorito, condição familiar e que não preocupa um dos atletas mais premiados do esporte brasileiro.

Para o velejador de 39 anos, competir bem sob pressão é um dos fatores de seu sucesso.

“Isso é uma das coisas. Não adianta fazer toda a lição de casa direitinho e chegar na hora da pressão não desempenhar”, disse ele em entrevista à Reuters por telefone de sua casa na Itália.

“O favoritismo pra gente não pesa mais, não é uma grande novidade. Desde a minha primeira Olimpíada já fui como favorito”, acrescentou.

Scheidt foi campeão olímpico em Atlanta-1996 e Atenas-2004, e prata em Sydney-2000 na Classe Laser, em que velejava sozinho, e prata novamente em Pequim-2008 na Classe Star, ao lado de Bruno Prada, seu parceiro há 11 anos. Neste período, eles levaram 52 títulos.

Na sexta-feira passada, os dois conquistaram o tricampeonato mundial, uma marca inédita para a vela brasileira, colocando a dupla como grande favorita ao ouro em Londres. Segundo Scheidt, os ingleses Iain Percy e Andrew Simpson também aparecem com grandes chances.

“Daqui até Londres tem que treinar o máximo que der, desenvolver nosso equipamento e acreditar no nosso potencial”, disse ele, acrescentando que será preciso ter regularidade nas 11 regatas da raia de Londres, aprovada pelos brasileiros.

“É uma raia com condições extremas: frio, muita correnteza, vento de médio para forte, o que a gente gosta”, explicou.

O velejador acredita que o caminho de um atleta até o título olímpico é longo e gradual, e este percurso inclui apoio financeiro --para ter condições de contar com um técnico bom e competir no exterior--, rotina de treinamento, estabelecimento de objetivos e saber lidar com a pressão.

“A evolução tem que ser passo a passo. Tem atleta que em cinco meses quer ser campeão mundial”, declarou.

“Eu também tive muitas oportunidades que eu soube aproveitar. Primeiro uma grande família que me ajudou a chegar na minha primeira Olimpíada, e depois que eu virei profissional consegui me associar a pessoas que me trouxeram muita coisa, meus técnicos, os patrocinadores.”

Scheidt considera que ele e Prada evoluíram bastante desde a prata em Pequim. Eles intensificaram os treinamentos e aprimoraram a parte técnica, testando vários barcos.

“Os últimos dois anos foram bem intensos na Star e a gente conseguiu dar um grande salto, entender melhor o barco, desenvolver melhor as velas. Isso tudo somado fez da gente uma dupla muito mais forte do que era antes.”

PAIXÃO PELA VELA

Scheidt, que começou a carreira na vela enquanto jogava tênis, foi campeão mundial oito vezes na Classe Laser antes de mudar para a Star. Ele é, qualitativamente, o maior medalhista olímpico brasileiro. Em número de medalhas, é superado pelo também velejador Torben Grael, com dois ouros, uma prata e dois bronzes.

“Eu gosto de velejar, é uma das coisas que eu mais gosto de fazer na minha vida. Colocar o barco na água e velejar e tirar uma lição de cada dia, isso me dá muita satisfação”, disse ele, explicando que é importante gostar do que se faz para ter sucesso.

Como atleta premiado e experiente, Scheidt dá uma dica para o Brasil se tornar uma potência olímpica: investir na base. “Tem que criar condições para que tenha mais gente praticando esporte e daí, tendo uma boa peneira, direciona-se os jovens para determinados esportes.”

Scheidt faz parte do conselho da Olimpíada do Rio de Janeiro 2016 como representante dos atletas. Ele participou de algumas reuniões e pretende se envolver mais após os Jogos de Londres.

“Estou aí para contribuir. Se eu conseguir, através de ideias e ações, devolver um pouco para o esporte, fico muito feliz”, afirmou.

O velejador espera competir em casa em 2016, mas esta decisão ainda não está tomada. A Classe Star por enquanto está fora da competição e existe uma discussão pela inclusão da categoria. Se ela realmente for excluída, o atleta paulista não descarta mudar de categoria para competir no Rio.

“O sonho seria ir até 2016 e lutar por mais uma medalha olímpica. Para mim completaria um ciclo olímpico, e aí eu posso fazer outra coisa da minha vida.”

Questionado sobre o que pretende fazer quando se aposentar, ele respondeu: “A vela proporciona uma longevidade, tem categorias maiores, barco de oceano, America’s Cup, tem muitas regatas que eu posso fazer com uma idade mais avançada. Dá para continuar velejando, que é o que eu gosto de fazer”.

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