Blatter diz que Fifa está navegando em águas mais calmas

terça-feira, 22 de maio de 2012 17:55 BRT
 

Por Mike Collett

BUDAPESTE, 22 Mai (Reuters) - A Fifa está se encaminhando para águas mais calmas após uma série de acusações de corrupção nos últimos dois anos, disse seu presidente, Joseph Blatter, na terça-feira.

"Sou um otimista", disse Blatter a jornalistas antes do congresso anual da entidade que dirige o futebol mundial. "Tenho certeza de que veremos no congresso que voltamos ao cais, não ao porto seguro ainda, mas estamos recebendo mais gente a bordo e rumando para águas calmas, mais claras."

"A mudança", prosseguiu, "começou no último ano, ou quando o Comitê de Ética começou a agir, e perdemos direta ou indiretamente cinco membros do comitê executivo. Esse é um número grande, e novas pessoas vieram".

Há um ano, Blatter foi eleito para um quarto e último mandato à frente da Fifa, durante um tenso congresso em Zurique marcado por suspeitas de suborno e corrupção.

Na reunião deste ano, marcada para quinta e sexta-feira em Budapeste, haverá a divulgação de novos estatutos destinados a tornar a Fifa mais transparente.

Entre os dirigentes afastados no ano passado estavam Jack Warner, de Trinidad e Tobago, e Mohammed bin Hammam, do Catar, envolvidos em um escândalo de suborno. Bim Hammam disputaria a presidência da Fifa contra Blatter, mas retirou a candidatura dias antes da votação, e foi posteriormente banido do futebol pelo resto da vida por tentar comprar os votos de delegados caribenhos.

Em março, o brasileiro Ricardo Teixeira, que assim como Warner esteve envolvido em repetidas acusações de corrupção, deixou o cargo alegando razões de saúde. O presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo del Nero, o substituiu no comitê executivo da entidade.

Antes, Amos Adamu e Reynald Temarii haviam sido apanhados em dezembro de 2010 no escândalo da venda de votos para a escolha da sede das Copas de 2018 e 22, que serão na Rússia e no Catar.

Os novos membros do comitê executivo incluem o príncipe jordaniano Ali bin al Hussein, a burundinesa Lydia Nsereka - primeira mulher na cúpula da entidade em seus 108 anos de história -, Jeff Webb, das ilhas Cayman, e o chinês Zhang Jilong.

"Novos rostos vieram, novas pessoas - e elas falam, intervêm, estão desempenhando um grande papel", disse Blatter, de 76 anos.