Ativista propõe que atletas gays peçam asilo durante Olimpíada

terça-feira, 22 de maio de 2012 20:44 BRT
 

LONDRES, 22 Mai (Reuters) - Atletas homossexuais de dezenas de países onde a homossexualidade é crime deveriam aproveitar a Olimpíada de Londres para pedir asilo, escapando assim das ameaças de perseguição ou morte, disse um influente ativista de direitos humanos na terça-feira.

O conselho foi dado por Mark Stephens, advogado que tem entre seus clientes o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, a quem ele defendeu na Grã-Bretanha durante o processo em que a Suécia solicitou sua extradição para responder por acusações de violência sexual.

Stephens propôs que o Comitê Olímpico Internacional (COI) venha a público apoiar os atletas gays e lésbicas, e que puna os países onde a homossexualidade é crime.

"Convido vocês (atletas homossexuais) a solicitarem asilo neste país com base no fato de vocês enfrentarem a perseguição doméstica se forem abertos a respeito da sua identidade sexual", disse Stephens numa palestra próxima da arena olímpica da zona leste londrina.

"O governo britânico terá de escutar sua solicitação e, ao fazê-lo, terá de se envolver com os abusos aos direitos humanos perpetrados contra as comunidades LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) no mundo todo", afirmou.

Segundo a Ilga (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais, na sigla em inglês), atos sexuais consensuais entre adultos do mesmo sexo são ilegais em 78 países, ou 40 por cento das nações filiadas à ONU.

Em cinco países - Irã, Mauritânia, Arábia Saudita, Sudão e Iêmen - esses atos podem acarretar a pena de morte, segundo a entidade.

Stephens, que disse ser heterossexual e se orgulhar do fato de às vezes ser identificado como gay devido à sua defesa das causas homossexuais, disse que uma solicitação em massa do asilo durante a Olimpíada ajudaria a chamar a atenção para a perseguição contra homossexuais.

"As pessoas falam do legado (da Olimpíada) em termos da regeneração de alguns poucos acres em Londres, quando na realidade o legado deveria ser um legado humano", disse ele.

Em 2010, a Suprema Corte britânica determinou que refugiados homossexuais ameaçados de perseguição em seus países de asilo por causa da sua orientação sexual têm direito a pleitear asilo no Reino Unido.

(Reportagem de Yeganeh Torbati)