Ucrânia e Polônia repudiam acusações de racismo

terça-feira, 29 de maio de 2012 15:36 BRT
 

KIEV/VARSÓVIA, 29 Mai (Reuters) - Polônia e Ucrânia criticaram as acusações feitas pela imprensa britânica de racismo e violência nos estádios de futebol do países-sede da Eurocopa do próximo mês e garantiram aos torcedores estrangeiros, nesta terça-feira, que eles estarão seguros durante o torneio.

Os dois países vizinhos dividirão a organização da competição envolvendo 16 seleções ao longo do mês de junho até a final, em 1o de julho, na capital ucraniana, Kiev. Os dois governos tentaram minimizar as acusações feitas em um programa investigativo da BBC sobre a violência no futebol nos dois países.

O programa de segunda-feira exibiu imagens de torcedores fazendo saudações nazistas, insultando jogadores negros com barulhos de macaco e cantando canções antissemitas. As imagens também mostraram um grupo de estudantes asiáticos sendo atacado no estádio Metalist, de Kharkiv, uma das quatro cidades ucranianas a sediar partidas.

O premiê da Polônia, Donald Tusk, afirmou: "Ninguém que vier à Polônia estará em perigo por causa de sua raça".

"Esse não é o nosso costume, assim como isso não mostra incidentes similares em outros países, embora saibamos que eles tenham ocorrido. Na Polônia, eles são uma raridade", disse ele em uma entrevista coletiva em Roma.

Em Kiev, o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia foi além, dizendo que acusações foram "imaginadas e são um problema mítico".

"Você pode criticar a sociedade ucraniana por muitas coisas... mas, na prática do racismo, os países membros da União Europeia estão bem à frente da Ucrânia", disse o porta-voz do ministério Oleh Voloshyn, em comentários divulgados pela agência de notícias Interfax.

Para a Ucrânia, as acusações de racismo somaram-se ao dilúvio de propaganda negativa antes da Eurocopa 2012, uma competição que a ex-república soviética esperava que mostrasse o país como um Estado moderno, elegível a entrar na União Europeia.

A prisão da líder da oposição Yulia Tymoshenko deflagrou denúncias da UE de retrocesso na democracia ucraniana e alguns políticos do bloco ameaçam boicotar a Eurocopa.

Relatos de corrupção, preços de hotéis abusivos, violência contra os participantes de um encontro do orgulho gay e imagens de pancadaria de políticos no Parlamento prejudicaram ainda mais a imagem internacional da Ucrânia.