May 30, 2012 / 10:03 PM / 5 years ago

Paixão pelo rifle motiva atiradora olímpica do Kuweit

3 Min, DE LEITURA

Por Sylvia Westall

KUWEIT, 30 Mai (Reuters) - Mariam Erzouqi agarra seu rifle de ar de fabricação alemã, firma os pés, mira o alvo e lentamente puxa o gatilho, até que um estampido suave ecoa pelo amplo estande de tiro do Kuweit.

A atiradora de 24 anos, que deve se tornar a segunda mulher kuweitiana a disputar uma Olimpíada, tem afinidade com o rifle, e seu alvo é uma medalha nas provas de rifle de ar a 10 e 50 metros nos Jogos de Londres.

Ela disparou pela primeira vez num clube de tiro do Kuweit aos 17 anos, e lembra a data sem hesitação - 16 de junho de 2004.

"No começo, eu treinava só para preencher o tempo, aí depois descobri que estava muito ligada ao rifle", disse Erzouqi, usando o agasalho esportivo multicolorido da equipe com seu sobrenome, um lenço preto sobre a cabeça e botas pesadas.

"Adorei o esporte e logo ele se transformou em uma profissão em vez de um hobby."

O fato de haver outras atiradoras na família garantiu o apoio à sua escolha. Suas quatro irmãs começaram a atirar sob o olhar atento da mãe, Awatif, que também é atiradora e juíza de competições.

Mariam e sua irmã Heba, de 14 anos, seguiram no esporte e hoje são rivais amistosas. "“Heba diz a Mariam - fique esperta, vou ganhar de você!", contou a mãe, rindo, enquanto ajudava no treino da filha competidora olímpica.

Ela treina seis vezes por semana, e concilia isso com os estudos. "Minhas amigas me provocavam no começo, mas quando me viram ganhando troféus aqui e no exterior me estimularam", disse Erzouqi com um discreto sorriso. "Atirar não é só para os rapazes, também há meninas fazendo. Não é rude. Acalma meus nervos e me ajuda a focar."

A situação dela é exceção no Kuweit, onde as mulheres podem ser barradas em clubes esportivos, ou recebem comentários negativos dos setores mais conservadores da sociedade.

E há dúvidas também sobre a própria participação do Kuweit na Olimpíada deste ano. O Comitê Olímpico Internacional suspendeu o Kuweit em 2010, por causa de interferências políticas no movimento esportivo local.

Autoridades locais dizem estar negociando com o COI pra resolver a questão a tempo, e esperam que Erzouqi e seus colegas possam desfilar com a bandeira kuweitiana em Londres.

Mas numa recente reunião no Canadá o COI decidiu que os atletas kuweitianos só poderão participar sob a bandeira olímpica, com o título de "atleta olímpico independente".

Erzouqi segue os passos de Danah al-Nasrallah, primeira kuweitiana a competir numa Olimpíada. Em 2004, ela participou na prova dos 100 metros rasos do atletismo, e ficou em 61o entre 63 atletas, sendo eliminada na primeira rodada.

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