ENTREVISTA-Pugilista baiano sonha com medalha e casa para mãe

sexta-feira, 1 de junho de 2012 15:21 BRT
 

Por Tatiana Ramil

SÃO PAULO, 1 Jun (Reuters) - Após trabalhar como lavador de carros para custear os treinos de boxe e chegar ao título mundial, Everton Lopes tem agora dois objetivos: conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres e comprar uma casa para a mãe.

O pugilista baiano, de 23 anos, admite que sua vida melhorou desde que começou no esporte, há oito anos, mas ele acreditava que ao se tornar campeão mundial na categoria meio-médio-ligeiro, no ano passado, conseguiria dinheiro para comprar uma casa para a mãe, que mora em Salvador.

"Eu tirei minha mãe de onde ela morava e hoje em dia a gente mora de aluguel, mas a minha expectativa, o meu sonho, é a casa da minha mãe, como é meu sonho olímpico, o sonho da medalha", afirmou Lopes em entrevista à Reuters.

O título mundial em 2011 não foi uma surpresa, já que ele é considerado por técnicos e dirigentes um dos melhores atletas do boxe olímpico de todos os tempos.

Mas, segundo Lopes, nada mudou desde o título no Azerbaijão, uma conquista inédita para o boxe brasileiro. O atleta não tem patrocinador e vive com recursos da Lei Agnelo/Piva, que destina parte da arrecadação das loterias para o esporte olímpico.

"Não tive uma ajuda. Tudo o que eu tenho hoje eu já tinha antes", disse ele, que acredita finalmente num apoio caso conquiste uma medalha olímpica.

"Não é porque no Mundial não veio que na Olimpíada não vai vir. Eu tenho fé, e minha fé está me levando para que eu consiga as coisas que eu quero, que é a casa da minha mãe e a medalha olímpica. Tem que levantar a cabeça e trabalhar para que o sonho se realize."

Lopes mora em São Paulo há sete anos e treina cerca de quatro horas por dia. Ele voltou recentemente da Bulgária e da Alemanha e viaja para Porto Rico em busca de um condicionamento físico e técnico melhor.   Continuação...

 
Everton Lopes acerta o rosto do ucraniano Denys Berinchyk na final do Campeonato Mundial de Boxe na categoria até 64kg, em Baku. 08/10/2011 REUTERS/David Mdzinarishvili