Polônia busca ganhos econômicos depois da Euro 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012 13:26 BRT
 

Por Chris Borowski e Dagmara Leszkowicz

VARSÓVIA, 8 Jun (Reuters) - Os torcedores que chegarem a Varsóvia para a Eurocopa de futebol nesta semana encontrarão engarrafamentos, estradas mal acabadas e buracos gigantescos onde deveria estar a nova linha de metrô da cidade.

A nova rodovia oeste para Berlim --que durante anos foi uma pista de apenas uma faixa-- foi inaugurada, mas somente graças a uma lei especial votada às pressas no Parlamento. Não há postos de gasolina, não há saídas por quilômetros e em alguns lugares ainda há a necessidade de mais uma camada de asfalto.

Mas por trás dos problemas, o imperativo de ficar pronto para o torneio derrubou obstáculos de burocracia, corrupção e disputas políticas internas no país do ex-bloco soviético que atrasaram projetos por anos.

Se o resultado for a infraestrutura do século 21 de que o sexto país mais populoso da União Europeia precisa para prolongar um milagre econômico, será mais importante do que qualquer incentivo temporário ao turismo fornecido pelo torneio de futebol.

"Esse é um salto de civilização. É muito cedo para abrir o champanhe, mas há satisfação em meu coração", disse o primeiro-ministro Donald Tusk a jornalistas antes de a Polônia inaugurar a última seção da estrada para Berlim nesta semana.

"Estou muito contente que a rodovia (A2) seja transitável. Eu ficaria ainda mais feliz se todas elas estivessem prontas".

A Polônia esperava usar o torneio de futebol, que ela sedia ao lado da Ucrânia, como sua festa de debutante como potência econômica emergente no leste da Europa.

O forte crescimento econômico e o acesso aos fundos da UE permitiram que o governo investisse cerca de 20 bilhões de euros (25 bilhões de dólares) na preparação do torneio durante quatro anos --60 por cento dessa quantia na construção de estradas--, cerca de duas vezes os gastos do governo ucraniano.

Isso equivale a cerca de 5 por cento da produção nacional anual, estimados 30.000 empregos e um impulso que vem mantendo o crescimento contínuo e que fez da Polônia a única economia europeia a se expandir durante quatro anos de crise econômica.

"O campeonato foi um impulso que ajudou muito", diz Lech Witecki, o chefe da agência de que lidera os esforços para construir novas rodovias. "Criou uma realidade em que nos últimos quatro anos pudemos nos sentar à mesa e resolver os problemas que antes levavam anos".