23 de Junho de 2012 / às 21:29 / 5 anos atrás

ENTREVISTA-Federer, o Flautista de Wimbledon

Por Pritha Sarkar

LONDRES (Reuters) - Roger Federer não ganha um título de Grand Slam há quase 30 meses e não é mais o melhor tenista do mundo, mas quando o assunto é poder de atração ele continua sendo o número um em Winbledon.

No momento em que o 16 vezes campeão do Grand Slam passeou pela esplanada dos jogadores no sábado ele parecia o Flautista de Wimbledon.

Cada movimento seu foi ofuscado por dezenas de jovens e velhos caçadores de autógrafos, além de diversos representantes da mídia.

Até jogadores de alto perfil se acotovelaram em busca de espaço ao redor de Federer, que em duas semanas pode igualar o recorde de Pete Sampras e William Renshaw com sete títulos masculinos no All England Club.

Depois do tumulto, Federer escapou para um bunker subterrâneo no All England Club para falar com a Reuters sobre jogar na era dourada do tênis, suas chances de vencer sua primeira medalha de ouro quando Wimbledon sediar os eventos de tênis das Olimpíadas no próximo mês e sobre receber honras fora do próprio esporte.

REUTERS: Vários jogadores se sentem privilegiados mas sem sorte por suas carreiras terem coincidido com a atual geração no topo. Você se sente sortudo ou não em ter jogado nesta era

FEDERER: “Se me sinto sortudo? Eu me sinto sortudo porque tive uma carreira maravilhosa porque eu nunca pensei que poderia ser tão incrível. Mas eu teria mais sucesso, vamos dizer, se um (Lleyton) Hewitt, se um Rafa (Nadal), se um Novak (Djokovic), se um (Marat) Safin não estivesse ao redor? Eu não sei.

REUTERS: Se a carreira de Rafa não tivesse coincidido com a sua, você provavelmente teria vencido mais quatro ou cinco Abertos da França e seu total de títulos nos principais torneios seria de 23 ou mais - você já se perguntou sobre isso?

FEDERER: “Honestamente eu não pensei muito sobre isso. Eu gosto da minha rivalidade com ele. Algumas derrotas diante dele são duras mas isso faz com que as vitórias sejam um pouco mais doces (especialmente) quando você vence alguém que tantas vezes te derrotou. Como para mim no início (David) Nalbandian e (Tim) Henman e (Andre) Agassi e Hewitt e daí em diante.

REUTERS: Esta é uma oportunidade única de vencer duas vezes em Wimbledon em um mês (O Grand Slam e a Olimpíadas). Isso reduz ou aumenta a pressão?

FEDERER: “Você tem duas chances de vencer. Mas obviamente as Olimpíadas são a cada quatro anos então cria-se muita pressão. Eu já estive lá três vezes então acho que vai me ajudar. Também vai me ajudar o fato de eu ser o atual medalha de ouro em duplas (em 2008). Considerando que as pessoas pensam 'você tem que vencer essa e haverá muita pressão sobre você'. Eu vejo isso de outra forma e não estou dizendo isso para tirar a pressão das minhas costas. Posso lidar com qualquer pressão realmente.

Eu acho é uma vantagem ter dois (eventos em Wimbledon) no espaço de um mês. Eu acho que é uma grande vantagem para quem vencer em Winbledon ou chegar a final, bem como às semi-finais. Significa que você já jogou várias partidas na grama, sabe exatamente como é jogar em Wimbledon, particularmente na reta final do torneio.

Então indo para o início das Olimpíadas será algo similar (mas também)... tão diferente. O melhor das partidas de três sets nas Olimpíadas é que vai apertar as margens da quadra, torná-la menor e mais difícil de dominar o espaço."

REUTERS: Você planeja jogar quando suas filhas gêmeas chegarem à idade escolar? Se sim, você sabe como a rotina de viagens irá funcionar para a família já que você sempre creditou à presença de sua esposa Mirka uma grande parte do seu sucesso?

FEDERER: “Ainda não. Obviamente eu gostaria de jogar por muito mais anos e espero que o problema vai surgir. Eu ainda quero jogar pelos próximos quatro anos e que se tornar três no próximo mês. Então são momentos ótimos os que vivo no circuito com elas, é muito ativo. Ocupa muito e eu sou muito grato a minha esposa que faz tudo isso funcionar.

As pessoas às vezes subestimam como é difícil atualmente gerenciar toda a situação mas nós vemos onde e como elas irão para a escola. Nós temos que descobrir tudo. Nós temos ideias e falamos sobre isso um pouco mas ainda estamos longe por isso não sei direito se vai funcionar.

REUTERS: Além dos seus títulos, sua carreira também pode ser contada por cenas de choros: chorando após vencer Pete Sampras em Wimbledon em 2001, chorando após vencer seu primeiro título em Wimbledon ou chorando após a derrota na final do Aberto da Austrália para Nadal. Como você se sente por isso quando você olha para trás?

FEDERER: “Estou feliz por ter mostrado aquelas emoções. Eu só mostrei emoções quando me perdi quando era criança. Obviamente eu era um garoto, você não vai vencer uma partida e chorar, você sempre vai chorar mais quando você perder, porque você está triste, decepcionado, desapontado. Eu sempre fui uma pessoa muito emotiva a este respeito.

Então algo me bateu quando venci Sampras em Wimbledon em 2001 e então quando venci a Copa Davis na Suíça contra os norte-americanos em minha cidade-natal, Basel.

Alguns, obviamente eu, esperam que eu não chore após derrotas, como na Austrália (após um derrota em um épico de cinco sets contra Nadal). Mas eu estava exausto. Quando eu me sentei (no final) eu estava calmo quanto a isso mas quando cheguei ao pódio e ver todos os fãs respeitosos e tive de falar, as lágrimas subitamente vieram.

Eu não me arrependo de nenhuma dessas explosões. Algumas pessoas acham estranho e outras acham fantástico. Estou feliz por tudo que aconteceu comigo e eu posso saborear e sentir a dor porque nem sempre é fácil. Isso mostra que eu me importo com um esporte muito caro."

REUTERS: Você tem uma tonelada de recordes no tênis. Mas o que você vê como sua maior conquista no esporte?

FEDERER: “O que eu aprecio muito é a longevidade no mais alto nível. Quando eu estava vencendo meu primeiro título em Wimbledon e se tornando o primeiro do mundo pela primeira vez em 2004, eu tive sorte suficiente para olhar outros atletas que estavam fazendo a mesma coisa por vários anos, como Tiger Woods, Michael Schumacher, Valentino Rossi.

Então o que foi inspirador para mim foi ver outros atletas que fizeram algo de excepcional. Eu pensei, 'Oh meu Deus, eu não sei como eles fazem isso' e o que você sabe a seguir é que você está lá também. Então eu estou muito orgulhoso de ter sido tão consistente no mais alto nível por um bom tempo porque não sou famoso por ser consistente em tudo.

Reportagem de Tiago Pariz

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below