11 de Julho de 2012 / às 18:05 / em 5 anos

Teixeira e Havelange são citados em caso de corrupção na Suíça

em dezembro do ano passado, o então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira participava de uma coletiva de imprensa no Rio Janeiro. Nesta quarta-feira, foram divulgados documentos judiciais que afirmam que o ex-presidente da Fifa João Havelange e o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira receberam suborno de milhões de dólares em acordos relacionados com a Copa do Mundo. 01/12/2011Sergio Moraes

Por Keith Weir

LONDRES, 11 Jul (Reuters) - O ex-presidente da Fifa João Havelange e seu ex-genro e ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira foram citados em um documento divulgado na quarta-feira por promotores suíços detalhando o pagamento de milhões de dólares em subornos relativos à organização de Copas do Mundo.

Os dois dirigentes brasileiros foram citados pela primeira vez em um processo que remonta à década de 1990, e que deve reforçar a pressão por mais transparência na entidade que organiza o futebol mundial.

O documento, emitido pelo Ministério Público do cantão suíço de Zug, observa que Teixeira e o representante jurídico da Fifa negaram qualquer irregularidade, e que Havelange não comentou as acusações.

Havelange, que presidiu a Fifa de 1974 a 1998, teria recebido 1,5 milhão de francos suíços (1,53 milhão de dólares) em março de 1997 da hoje extinta empresa de marketing esportivo ISL, disseram os promotores.

Com permissão da Fifa, a ISL vendia direitos de transmissão televisiva de competições da Copa do Mundo. A empresa faliu em 2001, com uma dívida de cerca de 300 milhões de dólares.

Teixeira, que presidiu a CBF entre 1989 e o começo deste ano, teria recebido 12,7 milhões de francos suíços entre 1992 e 1997, segundo os promotores.

Divulgado por pressão da imprensa, o documento detalha o processo criminal que foi arquivado em maio de 2010, depois que Havelange e Teixeira concordaram em pagar reparações.

Havelange, que está com 96 anos e saúde frágil, e Teixeira foram durante décadas duas figuras dominantes na gestão do futebol brasileiro. Eles não foram localizados na quarta-feira para comentar o caso.

Em nota, a Fifa elogiou a divulgação dos documentos e observou que o sucessor de Havelange, Joseph Blatter, não está envolvido no caso.

Mas os documentos geram dúvidas sobre a forma como a Fifa lida com suspeitas de corrupção, pois diz que a organização estava ciente de que seus funcionários estariam recebendo subornos.

"A conclusão de que a Fifa tinha conhecimento dos pagamentos de subornos a pessoas dentro dos seus órgãos não é questionada", disse o relatório de 42 páginas.

A Fifa tem enfrentado vários escândalos de corrupção nos últimos anos, os quais levaram à saída de cinco membros do seu comitê executivo, inclusive Teixeira.

O Brasil é o único país a ter conquistado cinco Copas do Mundo, e receberá o torneio de 2014, além da Olimpíada de 2016, no Rio.

"Com a constante alimentação (financeira) que ocorreu ao longo de vários anos, os serviços não só de João Havelange mas também de Ricardo Terra Teixeira foram comprados", disseram os promotores.

"O segundo era genro de João Havelange - uma circunstância com a qual o Grupo ISMM/ISL esperava, sem dúvida, obter os benefícios apropriados."

Teixeira também deixou em março o comando da CBF e do comitê organizador da Copa de 2014.

Havelange renunciou em dezembro passado à sua vaga no Comitê Olímpico Internacional (COI), antes de uma audiência do comitê de ética sobre a sua conduta no caso ISL.

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