Problema da Fifa é cultural, diz Transparência

quinta-feira, 12 de julho de 2012 17:11 BRT
 

Por Brian Homewood

ZURIQUE, 12 Jul (Reuters) - A Fifa precisa mudar a cultura dentro da organização e não apenas formar novos comitês, caso queria combater de forma bem-sucedida a corrupção dentro da organização, disse um instituto anticorrupção na quinta-feira.

A Transparência Internacional disse que as práticas de trabalho da Fifa, ao menos até o ano passado, foram expostas pela divulgação de um documento jurídico emitido pelo Ministério Público do cantão suíço de Zug na quarta-feira.

O documento mostrou que o ex-presidente da Fifa João Havelange e o ex-integrante do comitê executivo Ricardo Teixeira receberam propinas multimilionárias em acordos para a Copa do Mundo e que as autoridades da Fifa sabiam sobre isso, mas nada fizeram.

"Isso mostra mais uma vez que não se trata de trabalhar na estrutura e de ter regras melhores, trata-se da cultura e do espírito, e a Fifa ainda não começou a trabalhar nisso", disse a conselheira sênior sobre esportes da Transparência, Sylvia Schenk, à Reuters.

"Mostrou a cultura e o espírito predominantes dentro da Fifa até o ano passado, quando houve uma pequena mudança. Aceitava-se que as autoridades recebessem dinheiro e elas recebiam dinheiro de uma forma contraditória com suas obrigações com relação a Fifa."

O brasileiro Havelange, que chefiou a Fifa entre 1974 e 1998, recebeu um pagamento de 1,5 milhão de francos suíços (1,53 milhão de dólares) em março de 1997 da agência de marketing esportivo ISL, que já não existe mais, afirmaram promotores suíços.

Teixeira, que esteve à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de 1989 até o início deste ano, levou 12,7 milhões de francos entre 1992 e 1997, afirmaram os promotores.

A ISL vendia os direitos comerciais para exibir as partidas da Copa do Mundo em nome da Fifa. Ela afundou em dívidas de cerca de 300 milhões de dólares em 2001.

A Fifa respondeu a uma série de escândalos de corrupção recentes introduzindo uma auditoria e um comitê de conformidade e reformando seu comitê de ética, dividindo-o em duas câmaras, com uma para investigar os casos e outra para julgá-los e determinar as penalidades.