13 de Julho de 2012 / às 16:03 / em 5 anos

ENTREVISTA-Maior erro que Brasil pode cometer em Londres é se achar favorito, diz Mano

Técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, em entrevista à Reuters em hotel do Rio de Janeiro. 12/07/2012 REUTERS/Pilar Olivares

Por Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 13 Jul (Reuters) - Ciente da pressão que enfrenta por uma conquista, Mano Menezes já sabe qual é o grande erro que seu time precisa evitar na busca pela inédita medalha de ouro do Brasil no futebol dos Jogos Olímpicos: entrar em campo pensando ser o favorito ao título em Londres.

Nomes como Neymar e a dupla do Milan Alexandre Pato e Thiago Silva, que estão entre os jogadores mais valorizados do futebol mundial, dão ao Brasil uma condição óbvia de forte candidato ao ouro nos Jogos de Londres, ao lado da atual campeã europeia e mundial Espanha.

Não chegar ao topo do pódio pode representar o fracasso na busca por uma seleção para disputar a Copa do Mundo de 2014 em casa, segundo o treinador.

“Na seleção brasileira sempre existe pressão por resultado, e nem podemos ter a ilusão de acharmos que vamos conduzir um trabalho pensando que podemos perder e que não vai acontecer nada. Vai acontecer o mais importante, não vamos construir uma seleção brasileira perdendo”, disse Mano, com palavras cuidadosamente escolhidas, durante entrevista à Reuters na noite de quinta-feira.

O time olímpico do Brasil tem a base da equipe que deve disputar o Mundial de 2014 e foi considerado pelo ex-técnico da seleção Carlos Alberto Parreira como uma das equipes brasileiras mais fortes em Olimpíadas e com mais chances de conquistar o ouro. Até hoje o Brasil conquistou duas pratas e dois bronzes desde a primeira participação nos Jogos, em 1952.

O treinador do Brasil, no entanto, lembrou que não foi por acaso que grandes nomes do futebol brasileiro como Romário, Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho voltaram das Olimpíadas sem conseguir o título. Se entrarem em campo se considerando melhores que os outros, os brasileiros correm sério risco de repetir o histórico de derrotas, alertou Mano.

“É uma ilusão você achar que vai encontrar facilidade, porque nós nunca encontramos facilidade nas Olimpíadas. Nunca vencemos os Jogos Olímpicos, e se você der uma olhada para trás e vir a lista de jogadores que disputaram as Olimpíadas, veremos que não é fácil mesmo, foi por isso que não vencemos”, afirmou o treinador, no hotel onde a seleção brasileira está concentrada no Rio de Janeiro em preparação para a Olimpíada.

“O pior erro que poderemos vir a cometer é acharmos que somos favoritos antes de jogar, esse é o passo mais próximo para você não vencer”, alertou Mano, citando, além da Espanha, a força da seleção do Uruguai, que vai levar os atacantes Edinson Cavani e Luis Suárez para os Jogos de Londres.

A Olimpíada será apenas a segunda vez que Mano vai comandar o Brasil em jogos competitivos. A experiência anterior foi um fracasso, a eliminação nas quartas de final da Copa América de 2011, na Argentina. Naquela oportunidade, o treinador decidiu mesclar jogadores experientes, como Lúcio, Robinho e Julio César, com alguns jovens que estarão nos Jogos Olímpicos.

A derrota fechou as portas da seleção para alguns veteranos, e a esperança de Mano agora se concentra sobre um novo time que impressionou o treinador em quatro amistosos de preparação para a Olimpíada, em maio e junho.

Apesar da derrota por 4 x 3, o jogo contra o time principal da Argentina é citado pelo técnico como um exemplo do potencial da equipe. Enfrentando uma seleção liderada por Lionel Messi, o Brasil esteve duas vezes em vantagem e só não venceu porque sua inexperiente defesa, desfalcada do capitão Thiago Silva, não conseguiu parar o melhor jogador do mundo.

“A gente vai repetir o que fez nos jogos amistosos como ideia de seleção brasileira. Não teria lógica nenhuma você fazer uma formação, a seleção jogar bem, e eu destruir tudo isso para tentar construir uma nova maneira para iniciar os Jogos Olímpicos”, afirmou o treinador, cujo time enfrentou Dinamarca (3 x 1), Estados Unidos (4 x 1), México (0 x 2), além da Argentina nos amistosos.

OLÍMPICOS E VETERANOS

Apesar de os Jogos representarem o principal degrau na preparação do time para a Copa do Mundo, o treinador acredita que a seleção brasileira que vai jogar o Mundial em casa será diferente da que vai a Londres, mesmo que a equipe olímpica conquiste o título.

Mano não citou nomes, mas, com base no rendimento dos jogadores nos amistosos, é provável que ele aposte em Daniel Alves para a lateral-direita, David Luiz como companheiro de Thiago Silva na zaga e em um goleiro mais experiente que o jovem Rafael Cabral, do Santos.

“Não vejo necessidade nenhuma de você pegar uma equipe que faça uma grande campanha na Olimpíada e excluir dela jogadores importantes, que terão um papel importante na Copa se estiverem bem”, afirmou o treinador, que em 25 jogos à frente da seleção tem 15 vitórias, 5 empates e 5 derrotas.

“Acho que o fator mais positivo será justamente a união de uma equipe, tomara que campeã olímpica, com jogadores que já têm uma trajetória maior, exatamente para dar um equilíbrio e uma qualificação maior ainda para a seleção brasileira.”

“Estamos levando para a Olimpíada, de 18 jogadores, 15 abaixo de 23 anos, e não é possível que vamos entender que todos os bons jogadores que temos estão abaixo de 23 anos. Existem jogadores que podem, juntamente com esses, tornar a seleção ainda melhor”, acrescentou.

O time titular olímpico está “99 por cento” fechado, segundo o treinador, provavelmente com a escalação Rafael Cabral, Rafal, Thiago Silva, Juan e Marcelo; Rômulo, Sandro, Oscar e Hulk; Neymar e Leandro Damião.

Grande aposta do treinador no início de seu trabalho à frente da seleção, Paulo Henrique Ganso perdeu espaço após uma sequência de lesões que interromperam sua carreira e deve começar os Jogos no banco de reservas. O treinador, no entanto, tem o meia como um trunfo.

“O que queremos para o Ganso, e ele quer, é que exatamente que esse período que vem agora seja um período diferente do que o que antecedeu esse momento”, disse.

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