16 de Julho de 2012 / às 18:14 / em 5 anos

Pressionado por ouro, Mano Menezes defende trabalho de longo prazo

O técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, fala durante a uma entrevista à Reuters antes dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres, num hotel no Rio de Janeiro. 12/07/2012 REUTERS/Pilar Olivares

RIO DE JANEIRO, 16 Jul (Reuters) - Pressionado pela busca do inédito ouro olímpico em Londres, o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, defendeu nesta segunda-feira um trabalho de longo prazo para os treinadores no Brasil.

Antes do embarque para a Inglaterra, Mano citou os exemplos de sucesso de Corinthians e Palmeiras, cujos técnicos estão à frente dos times há mais de um ano e recentemente conquistaram Libertadores e Copa do Brasil, respectivamente.

“Tenho esperança em relação a isso (que os clubes tenham mentalidade de longo prazo), um dia chegaremos lá; os exemplos são tantos de equipes bem sucedidas dentro do nosso país, em que o trabalho de longo prazo se confirma na prática. Temos dois campeões de Copa do Brasil e Libertadores que confirmam isso, o que a gente defende sempre, mas parece defesa em causa própria”, declarou ele aos jornalistas.

“Gostaria de contar com a colaboração de vocês para que sempre que um técnico tivesse uns cinco resultados negativos não se fizesse uma enquete para saber quem vai ser o substituto dele. Isso já seria uma ajuda”, completou.

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, tem citado o ouro olímpico como prioridade da seleção, colocando mais pressão em Mano Menezes.

O treinador foi contratado pelo ex-presidente Ricardo Teixeira, que deixou a entidade este ano. Mano Menezes foi mantido no cargo, mas sabe da admiração do presidente por nomes como Luiz Felipe Scolari e Muricy Ramalho.

“Estou viajando muito mais confiante do que na minha primeira competição (Copa América). O trabalho ganhou corpo”, disse o treinador.

“A pressão sobre mim considero a ideal; gosto de conviver com ela, acho necessária e não existe outra maneira de render bem se não houver uma certa pressão. Ela precisa existir e vamos com a noção clara do que temos que render e o que temos que buscar.”

“ESPÍRITO OLÍMPICO”

Ao ser questionado sobre seu futuro, em caso de fracasso em Londres, Mano Menezes foi evasivo. “Não falo mais sobre isso. Já deixei claro o que penso sobre resultado e a necessidade inerente do futebol em qualquer estágio. Eu acho necessário isso, para a seleção, jogadores e para todos”, afirmou.

O futebol nos Jogos Olímpicos tem um calendário diferente, tanto que o Brasil estreia antes da cerimônia de abertura e só jogará na cidade de Londres se for à final. A seleção de Mano Menezes não participará do desfile de abertura, no dia 27, e também não ficará na Vila Olímpica. Para o técnico, esses são fatores que aumentam a cobrança pelo ouro olímpico.

“Esse sentimento já está deturpado de um modo geral e a avaliação hoje é que o importante é ganhar em detrimento dos outros e fica difícil acreditar no espírito olímpico, e o futebol, pela questão brasileira, vai pensando em vencer e não se vence por decreto”, avaliou.

Mano Menezes assumiu a seleção em 2010 e desde então vem promovendo uma renovação no time brasileiro visando a Copa do Mundo de 2014. Ele acredita que os Jogos de Londres serão a grande chance de consolidar a transição do futebol brasileiro, e muitos dos atletas que disputarão a Olimpíada devem disputar o Mundial.

“A igualdade de faixa etária é grande oportunidade de afirmar esses jogadores num cenário internacional; isso é muito importante”, declarou Mano Menezes.

O Brasil embarca à noite para a Inglaterra e estreia nos Jogos no dia 26 contra o Egito. O jogo é considerado o mais difícil da primeira fase pela comissão técnica. Estão ainda no grupo do Brasil Belarus e Nova Zelândia.

“Teoricamente, o Brasil pode ser mais favorito na primeira fase, mas esses dias falei da Eurocopa. Holanda e França também eram e não passaram da primeira fase”, disse.

O treinador confirmou o time para a estreia nos Jogos com Rafael Cabral, Rafael, Juan, Thiago Silva e Marcelo; Sandro, Rômulo, Oscar e Hulk; Leandro Damião e Neymar.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier

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