Londres deve consagrar vôlei como principal esporte olímpico do Brasil

quarta-feira, 25 de julho de 2012 16:49 BRT
 

Por Pedro Fonseca

LONDRES, 25 Jul (Reuters) - Os Jogos de Londres devem finalmente confirmar o que todos que acompanham o esporte brasileiro, mesmo à distância, já sabem há bastante tempo: o vôlei, na quadra ou na areia, é a modalidade olímpica número 1 do Brasil.

O vôlei entra na Olimpíada de 2012 empatado com a vela em número de medalhas, com 16 cada. Mas, com seis possibilidades reais de subir ao pódio na capital britânica --quatro na areia e duas na quadra--, o vôlei deve assumir o posto de esporte com mais medalhas olímpicas para o país.

"Dizem que no Brasil o futebol não é esporte, é religião. Então o vôlei pode ser considerado como o esporte número 1", disse à Reuters o ex-jogador da seleção brasileira Bernard Rajzman, medalhista de prata nos Jogos de Los Angeles-1984 e chefe da delegação brasileira em Londres.

"Isso acontece em função de uma administração que começou lá atrás a profissionalizar o esporte. Na minha época, nos anos 1970, não se sabia se vôlei era esporte de homem ou de mulher. A minha primeira seleção (em 1976) treinava duas vezes por semana, e hoje você vê que o vôlei, e todos os outros esportes, contam com uma estrutura totalmente diferente no Brasil, que se reflete no número de medalhas conquistadas desde Barcelona-1992."

Enquanto as medalhas olímpicas da vela (6 de ouro, 3 de prata e 7 de bronze) vêm na maioria de dois fenômenos individuais, Robert Scheidt (4) e Torben Grael (5), gerações seguidas do vôlei conseguiram sucesso não só em Olimpíadas mas também em várias competições importantes, fazendo do esporte o mais forte disputado no Brasil --futebol à parte, obviamente.

Apesar de o Brasil ter representantes em 7 classes da vela, apenas três são consideradas candidatas a medalha em Weymouth, onde será disputado o iatismo nos Jogos de Londres. E, além disso, apenas o bicampeão olímpico Scheidt, na classe Star, pode ser considerado um favorito certo ao pódio.

"Aqui no Brasil você conta 10, 20, 30 velejadores no máximo que vivem da vela 100 por cento. Eu sou um dos poucos velejadores em geral que treinam profissionalmente", disse em entrevista à Reuters Ricardo Winicki, o Bimba, que, com ajuda de patrocinadores, consegue os recursos para adquirir equipamentos caros considerados essenciais para se atingir a elite do esporte. Em sua quarta Olimpíada, ele busca uma primeira medalha na prancha à vela.

Já o vôlei tem ligas nacionais com patrocinadores grandes e transmissão da TV no masculino e no feminino na quadra, enquanto na praia o circuito brasileiro tem nível comparado ao internacional --além dos milhares de praticantes anônimos da modalidade que lotam as praias do país diariamente.   Continuação...

 
Seleção brasileira de vôlei feminino treina para os Jogos de Londres nesta quarta-feira. REUTERS/Sergio Moraes