East End de Londres dividido na véspera de abertura dos Jogos

quinta-feira, 26 de julho de 2012 13:26 BRT
 

Por Maria Golovnina e Kate Holton

LONDRES, 26 Jul (Reuters) - "Todo mundo aqui odeia as Olimpíadas", diz a frase grafitada na parede de uma fábrica de amendoim abandonada bem perto do novo e chamativo Estádio Olímpico de Londres.

Escondida em um dos bairros mais pobres da capital britânica, a fábrica em ruínas está há muito fora de uso, tendo sido tomada por um grupo heterogêneo de artistas, músicos e performistas de circo unidos por seu desdém pelos Jogos Olímpicos de 2012.

Milhões de visitantes estrangeiros que chegam a Londres este mês podem não perceber, mas à vista dos reluzentes locais olímpicos estão alguns dos bairros mais problemáticos da cidade, onde o glamour inatingível dos Jogos apenas alimentou ressentimento.

Foi aqui, em proximidade preocupante aos locais olímpicos, que as gangues de adolescentes mascarados causaram tumulto no ano passado, saqueando lojas e transformando as ruas em zonas de batalha --um trauma que ainda paira fortemente sobre a área socialmente segregada.

Em contraste com as casas de milhões de libras na West End de Londres, East End é um mundo pós-industrial maltrapilho, onde jovens alienados vivem lado a lado com imigrantes, jovens famílias e artistas em antigos armazéns.

"Inspire uma geração" é o lema dos Jogos e as autoridades estão confiantes de que haverá um impacto positivo em longo prazo, com planos para gastar mais de 300 milhões de libras (470 milhões de dólares) para transformar a área em uma parte nova e próspera de Londres.

Mas do lado de fora de um local olímpico na área industrial de Hackney Wick, M Royce --ele deu apenas a sua inicial-- olhava fixamente para uma cerca de segurança em torno da instalação, enquanto descrevia sua luta para encontrar um emprego.

"São dois mundos diferentes. Eles não vão se encontrar no meio do caminho. Os ricos estão ficando mais ricos e os pobres estão ficando mais pobres", disse Royce, um londrino de segunda geração, cuja família veio de Gana e que está desempregado há dois anos.   Continuação...