28 de Julho de 2012 / às 19:17 / em 5 anos

Campeã, agora Sarah Menezes conhece bem as Olimpíadas

Por Pedro Fonseca

A judoca brasileira Sarah Menezes mostra medalha de ouro em Londes. REUTERS/Toru Ha

LONDRES, 28 Jul (Reuters) - Vencer uma final olímpica como se estivesse treinando. Foi dessa forma que Sarah Menezes deixou de ser uma menina que nunca tinha visto as Olimpíadas pela televisão até participar dos Jogos de Pequim-2008 para se tornar a primeira judoca a conquistar uma medalha olímpica de ouro para o Brasil.

Sem deixar ser vencida pela ansiedade no momento mais decisivo de sua carreira, Sarah entrou no tatame neste sábado acreditando que só a japonesa Tomoko Fukumi poderia impedi-la de conquistar o título da categoria peso-ligeiro (até 48kg) do judô. Sem a adversária pelo caminho, e com os nervos sob controle, a conquista foi inevitável.

Em todas as lutas vencidas por Sarah, a brasileira entrou com expressão de tranquilidade e sempre tomou a iniciativa dos combates. A importância do controle emocional foi tão grande que o momento mais difícil do dia foi vivido fora do tatame, ao torcer pela derrota da rival japonesa na semifinal.

“O momento mais difícil foi ficar ali vendo e tendo que me concentrar para entrar logo em seguida”, disse Sarah a repórteres, com a mesma calma demonstrada nas lutas, após receber sua medalha de ouro.

Depois de vencer sua própria semifinal e, já sabendo que a campeã olímpica dos Jogos de Pequim-2008, a romena Alina Dumitru, seria sua adversária na decisão, Sarah deixou pela única vez no dia as lágrimas saírem para “desabafar”, sabendo que todo seu esforço estava próximo de ser recompensado.

“A final foi a luta mais fácil da competição, a emoção foi luta por luta, quando chegou a final estava a Sarah normal como se estivesse treinando”, acrescentou a judoca, que disse ter feito um longo trabalho psicológico antes de Londres, após a derrota logo na primeira luta em sua estreia olímpica, há quatro anos.

“FENÔMENO” DE TERESINA

Sarah, de 22 anos e apenas a segunda mulher brasileira a conquistar uma medalha de ouro olímpica em esportes individuais, começou o judô na infância como diversão e pretende levar o prestígio conquistado com a medalha para ampliar a presença do esporte no Estado do Piauí, onde nasceu e fez questão de permanecer treinando.

Apesar da oposição dos pais, que consideravam o judô uma modalidade masculina, Sarah insistiu, garantindo que não ia descuidar das notas --está no 5o ano da faculdade de Educação Física-- e agora sabe que a vida jamais será a mesma depois da conquista história.

“As pessoas vão me ver com outros olhos, eu vou ser um fenômeno maior ainda na cidade”, disse a judoca, que recusou convites para trocar Teresina por grandes centros e recebeu apoio e recurso do governo e do COB para permanecer perto de sua família.

“A única coisa que eu penso é que na minha cidade as coisas vão mudar para a minha família e para todos que treinam comigo. Tenho certeza que a partir de agora vamos iniciar um projeto e muitos atletas irão me ajudar no treinamento.”

“Eu sou um exemplo no judô porque não sou dos grandes centros, e vou ser um exemplo maior ainda por causa dessa medalha, e tenho certeza que isso vai fazer com que outros atletas acreditem. Todo mundo é capaz de chegar num ponto alto”, acrescentou.

Sarah, bicampeã mundial junior, nunca parou em frente a uma televisão para ver os Jogos Olímpicos na infância porque estava sempre em busca de brincadeiras agitadas. Seu primeiro contato com o mundo dos Jogos foi de cara a derrota na primeira luta em Pequim-2008.

A experiência em Londres foi completamente diferente. Venceu todas as lutas com autoridade no tatame, foi longamente aplaudida pelo público ao subir no pódio para receber o ouro, e encarou um batalhão de jornalistas de todo o mundo em busca de saber mais sobre sua história.

Ela reconhece que sua família, de classe-média, tem o suficiente para viver bem, mas espera que sua conquista pessoal amplie o acesso a recursos não só para ela, e sim para todos os que buscarem envolvimento com esporte na sua região.

“A gente é de classe média, nem rico nem pobre, o que precisa é ajudar as pessoas que treinam comigo também. Não adianta ajudar só a Sarah, e sim a população no geral. Eu não penso só em mim.”

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