Por "Su Su", técnica do judô abandona postura contida

sexta-feira, 3 de agosto de 2012 15:17 BRT
 

Por Pedro Fonseca

LONDRES, 3 Ago (Reuters) - Rosicleia Campos, a técnica da seleção feminina de judô do Brasil, se segurou até o último dia da disputa da modalidade nos Jogos de Londres, nesta sexta-feira. Ela só não se aguentou quando "Su Su" teve a chance de conquistar a medalha de bronze na categoria pesado.

Ao longo dos Jogos, Rosicleia estava cumprindo quase à risca a nova regra que só autoriza os treinadores a falarem com os atletas quando o combate está paralisado. Era uma mudança de estilo em relação ao perfil escandaloso da treinadora em outras competições, a destacar o Pan-2007 no Rio e a Olimpíada de Pequim-2008.

Enquanto as judocas brasileiras estavam em combate na capital britânica, a técnica se preocupava mais em passar instruções técnicas e táticas do que em tentar motivar as atletas. Foi com ela à beira do tatame que Sarah Menezes se tornou a primeira brasileira campeã olímpica de judô e que Mayra Aguiar conquistou a medalha de bronze.

Tudo mudou quando Maria Suelen Altheman, chamada pela treinadora de "Su Su", disputou a medalha de bronze contra a chinesa Wen Tong, que acabou vencendo o combate e deixando a brasileira em 5o lugar na categoria acima de 78kg.

"Vai Su Su, essa é a luta da sua vida", "Você precisa querer mais que ela", "Sacode ela, Su Su", "Puxa ela, você está muito devagar", foram alguns dos gritos de incentivo de Rosicleia, inclusive em alguns momentos que o combate não estava parado.

"É por causa do meu relacionamento com ela, a Suelen responde bem assim", disse Rosi, como é chamada a ex-judoca olímpica, à Reuters após a luta. "Ela foi bem, faltou pouco", acrescentou a treinadora, que além dos gritos costuma lutar junto com as atletas fazendo os movimentos do lado de fora.

A nova regra da Federação Internacional de Judô para os técnicos determina que se o treinador for advertido duas vezes por falar com o atleta fora do momento permitido, ele é expulso. A brasileira não foi advertida nenhuma vez.