5 de Agosto de 2012 / às 17:07 / 5 anos atrás

Mesmo antes de Rio-2016, Brasil já tem torcida maior que rivais

Torcida brasileira durante jogo de vôlei de praia em Londres. REUTERS/Marcelo Del Pozo

Por Pedro Fonseca

LONDRES, 5 Ago (Reuters) - Se o Brasil não conseguir em Londres um recorde de medalhas não terá sido por falta de incentivo dos torcedores. Brasileiros que vivem na capital britânica e em outras cidades europeias se juntaram a um grande número de turistas olímpicos, fazendo da torcida brasileira maioria em várias arenas quando o país está em ação.

Filas são formadas diariamente no hotel onde funciona em Londres o escritório da agência de turismo credenciada oficialmente para vender os ingressos do Brasil. Turistas e moradores que não conseguiram comprar pela Internet buscam uma última tentativa de acompanhar a participação brasileira nos Jogos, mesmo que não seja no esporte de sua preferência.

“Eu queria ver o vôlei, mas já está esgotado. Consegui para o handebol, mas está bom porque o time está indo bem e vamos ver se consegue uma medalha”, disse Daniel Serafim, de 27 anos, que trabalha como vendedor de uma loja de conveniência e viajou para Londres no início de 2011 para aprender inglês.

Entre 130 mil e 160 mil brasileiros moram em Londres, de acordo com relatório do Departamento de Geografia da Universidade de Londres, de 2007, feito com base em números das organizações brasileiras sediadas na Grã- Bretanha, que é usado como referência pela embaixada do Brasil na cidade.

Além deles, vários expatriados em outras partes da Europa, que estão a poucas horas de viagem da Inglaterra de trem e avião, aproveitaram os Jogos Olímpicos para buscar uma reaproximação com o país.

Também há um grande contingente de turistas brasileiros, desfrutando de uma situação financeira melhor, que resolveram aproveitar a realização da Olimpíada numa das cidades mais famosas do mundo para visitar Londres e ver os Jogos ao vivo pela primeira vez.

Cinquenta mil ingressos, um recorde, foram vendidos pela agência Tamoyo Internacional ainda no Brasil, superando em muito os números dos últimos três Jogos Olímpicos: 18 mil em Pequim-2008 e 12 mil em Atenas-2004 e em Sydney-2000.

A modalidade mais procurada foi o vôlei, em que o Brasil disputou a final masculina e feminina em Pequim, à frente do vôlei de praia, outra grande esperança de pódio brasileiro em Londres. O basquete ficou em terceiro.

O jogo que Daniel Serafim assistiu, a vitória do Brasil sobre Angola no encerramento da primeira fase do handebol feminino, no domingo, foi mais uma das partidas de brasileiros nos Jogos com maioria de torcida.

Nos jogos de vôlei, o Brasil chega a ter maioria absoluta na Earls Court arena -- exceção feita à partida das mulheres contra a China, em que a arquibancada ficou bem dividida e, claro, contra os britânicos. Já no basquete masculino, até contra os chineses o Brasil teve mais torcedores, e também no judô os lutadores do Brasil tiveram mais apoio que os adversários em diversos combates.

Os brasileiros, por outro lado, praticamente não se fizeram presentes no Centro Aquático para as provas de natação, que foram as primeiras a ter ingressos esgotados. Ávidos por ver o fenômeno Michael Phelps, os norte-americanos dividiram as arquibancadas com os donos da casa em todas as finais. Só se viu algumas bandeiras brasileiras quando Cesar Cielo nadou a final dos 50m livre.

Entre os ingressos vendidos pela Tamoyo no Brasil, mais da metade (28 mil) foi para torcedores do Rio de Janeiro, num indicativo da expectativa do carioca para receber em sua cidade a próxima edição dos Jogos Olímpicos.

“Olimpíada no Rio vai ser outra coisa. Aqui você só está na Olimpíada quando vai a um jogo de alguma coisa, mas no Rio vai ser clima de festa em todo lugar”, disse o gerente de tecnologia Ricardo Dantas, que incluiu Londres e a Olimpíada no roteiro de uma viagem de férias pela Europa com a mulher.

Reportagem de Pedro Fonseca; Edição de Tatiana Ramil

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