August 5, 2012 / 8:08 PM / 5 years ago

ENTREVISTA-Phelps inicia vida longe das piscinas

4 Min, DE LEITURA

Por Julian Linden

LONDRES, 5 Ago (Reuters) - Como um peixe fora da água, Michael Phelps começou o primeiro dia de sua nova vida incerto sobre onde ir e se perguntando o que fazer.

Pela primeira vez em duas décadas, ele não precisou programar o alarme para se levantar antes do sol e colocar óculos e sunga em uma sacola para ir à piscina.

Exausto da noite anterior, quando encerrou sua incrível carreira conquistando sua 18a medalha de ouro olímpica, ele havia planejado dormir até tarde, mas seu corpo e sua mente não permitiram.

Ele acordou às 6h, como sempre, mas com a cabeça ainda a mil por hora com a magnitude do que conquistou e as emoções transbordando à medida que se dava conta de que tudo acabou.

"Na verdade não dormi além do horário em que acordo. Só dormi três ou quatro horas a noite passada, depois despertei e não consegui mais pegar no sono", disse ele à Reuters em entrevista neste domingo.

"É meio estranho, muito estranho, o primeiro dia sem ter que nadar, nem hoje nem nunca mais."

Phelps sabia há tempos que esse dia estava chegando, já que quatro anos atrás, em Pequim, decidiu que Londres seria sua última Olimpíada.

O norte-americano soube com grande antecedência qual seria sua última prova e o dia em que aconteceria, por isso começou a se preparar.

Ele não treinou tão forte como em Pequim, onde conquistou oito medalhas de ouro, mas se manteve em forma e motivado o suficiente para arrebatar mais quatro ouros e duas pratas e encerrar a carreira com um histórico impressionante e inédito de 22 medalhas.

Sua última prova, o revezamento medley de sábado, foi vista por milhões de pessoas ao redor do mundo e não poderia ter seguido um roteiro melhor. A plateia no Centro Aquático de Londres se levantou instintivamente para homenagear o atleta olímpico mais condecorado de todos os tempos.

Ele recebeu a medalha de ouro e também um prêmio de reconhecimento pela carreira da Federação Internacional de Natação e incontáveis apertos e mão e tapinhas nas costas. Também houve lágrimas - de sua família, seu técnico e do próprio Phelps.

Não é de se espantar que ele mal tenha dormido.

"Não sei dizer bem como me sinto agora. É muito confuso", disse ele. "Estou a mil por hora agora, sentindo várias coisas ao mesmo tempo. Ainda não sei como reagir."

Phelps planejava passar o dia com sua mãe, Debbie, mas teve que cumprir compromisso antes com seu patrocinador.

Ele passou 30 minutos no palco em um auditório lotado respondendo perguntas sobre uma grande variedade de assuntos, da natação e da comida em Londres até se pretende se casar logo, e depois conversou em particular com alguns veículos de imprensa selecionados, incluindo a Reuters.

Com os olhos vermelhos e lutando para se manter acordado, ele refletiu sobre seu sucesso e falou sobre o futuro, dizendo querer viajar mais e melhorar no golfe.

O nadador de 27 anos disse que quer se manter em forma, lembrando do peso que acumulou quando fez uma breve pausa após Pequim, mas que não vai chegar perto de uma piscina, a não ser para assistir ao campeonato mundial e à Olimpíada.

"A parte competitiva da minha carreira acabou, o que não significa que meu envolvimento com a natação tenha acabado", disse ele. "Vou continuar envolvido, mas do lado de fora."

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