7 de Agosto de 2012 / às 19:28 / em 5 anos

Eliminada, Maurren diz que temeu lesão e sente alívio por sair "inteira"

Por Pedro Fonseca

LONDRES, 7 Ago (Reuters) - Maurren Maggi, campeã olímpica do salto em distância em Pequim-2008, reconheceu ter sentido medo de sofrer alguma contusão nos Jogos de Londres e disse que ficou satisfeita por sair “inteira” da competição nesta terça-feira, apesar de ter ficado fora da final da prova em que foi medalha de ouro há quatro anos.

A saltadora, de 36 anos, esteve envolvida numa polêmica antes da Olimpíada após sofrer uma contusão no quadril que prejudicou sua preparação. Ao contrário da maior parte da equipe brasileira de atletismo, ela não se concentrou no centro de treinamento do Brasil em Londres e preferiu se isolar em Madri antes dos Jogos, sem atender à imprensa.

Apesar de garantir que a contusão sofrida durante uma competição no Rio de Janeiro em maio não a prejudicou, a brasileira não conseguiu ficar entre as 12 classificadas para a final olímpica na capital britânica ao obter a marca de 6,37 metros em seu melhor salto -- bem abaixo dos 7,04m que garantiram o ouro em Pequim-2008.

Aparentando serenidade, a atleta deu mais valor ao fato de ter escapado de sofrer uma contusão séria do que ao resultado decepcionante na Olimpíada.

“Estou triste por estar representando o meu país e não ter conseguido fazer o meu trabalho da maneira que eu queria ter feito, mas estou satisfeita por ter terminado o meu trabalho inteira”, disse Maurren após a disputa das eliminatórias do salto em distância no Estádio Olímpico de Londres.

“O atleta no auge ou estoura (o corpo) ou faz a melhor marca, e eu estava com medo de que acontecesse alguma coisa de ruim, mas deu tudo certo e eu terminei inteira, só não consegui ir para a final”, acrescentou.

Maurren, que disse ter escolhido se isolar em Madri para pensar apenas na Olimpíada e não se distrair com nada, explicou que a lesão no quadril a fez mudar a forma de saltar nos treinamentos para diminuir a dor no local, mas garantiu não ter disputado a competição no sacrifício.

Ela não disputava uma prova desde a etapa de Eugene, nos EUA, da Liga Diamente, em 1o de junho --em que ficou em 6o lugar com um salto de 6,51,-- e desistiu de disputar dois torneios antes dos Jogos, segundo ela para se concentrar no treinamento e não “se expor” por já ser uma campeã olímpica.

“O quadril foi uma queda que eu tive no Rio de Janeiro que a caixa de areia estava dura e deu um edema no osso. Quando eu caio na areia dói, é a única coisa que acontece. No treino eu estava caindo fechando as duas pernas, eu não caía escorregando a bunda na areia. É a única coisa que eu modifiquei durante os meus treinamentos, mas eu não tenho mais dificuldade nenhuma. Foi uma coisa que passou”, disse.

Com a marca de 6,37 metros, obtida em seu primeiro salto, Maurren terminou a eliminatória olímpica em 15o lugar. Em sua segunda tentativa, a brasileira queimou a corrida e, na terceira, piorou a marca que já tinha ao saltar 6,27m.

A atleta, que disse ter ficado feliz por ter disputado a Olimpíada com o status de campeã olímpica aos 36 anos, garantiu que pretende chegar aos Jogos de 2016 no Rio de Janeiro para buscar um bicampeonato olímpico. O desafio será grande, já que desde a Olimpíada de Pequim a brasileira nunca mais conseguiu superar a barreira de 7,0 metros.

“Eu sou nova ainda, tenho muito chão pela frente”, disse, sorrindo. “Não falo em aposentadoria porque amo o que eu faço e a gente não tem ninguém no Brasil que esteja na minha cola e que possa representar o Brasil.”

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