TCU: repasse de recursos para mobilidade urbana da Copa preocupa

quinta-feira, 9 de agosto de 2012 19:49 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 9 Ago (Reuters) - A pouco menos de dois anos para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, apenas 5,5 por cento dos recursos destinados para as obras de mobilidade urbana nas cidades-sede foram desembolsados, segundo o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Valmir Campelo, que chamou a situação de "preocupante".

"Menos de 6 por cento dos recursos para mobilidade foram repassados aos municípios. Daí a minha preocupação. A mobilidade é o que mais me preocupa, porque esse deveria ser o principal legado da Copa, mais até que as arenas", disse ele no oitavo fórum de administração pública, nesta quinta-feira.

De acordo com os mais recentes dados do TCU, finalizados em julho, as obras totais da Copa estão orçadas em 27,4 bilhões de reais, sendo que o montante a ser destinado à mobilidade urbana, como obras de metrô, rodovias, viadutos , BRTs, VLTs e outros, tem orçamento previsto de aproximadamente 9,5 bilhões de reais.

Até o mês de julho, apenas 5,5 por cento desse volume de recursos a serem destinados à mobilidade urbana foram desembolsados pela Caixa Econômica Federal, órgão responsável pelos financiamentos ao municípios. O financiamento corresponde a 327,5 milhões de reais.

"A mobilidade é a obra mais importante porque vai ser usada pela classe mais sofrida da população que sai de casa cedo e volta só às dez, onze horas da noite", declarou Campelo.

O ministro do TCU não quis detalhar qual cidade estaria mais atrasada, mas alertou que há um problema comum às cidades que pode ser a falha, demora ou ausência na apresentação de projetos executivos.

"Tem também as normas do próprio banco... A Caixa tem parâmetros e há também projetos executivos de mobilidade que não foram totalmente liberados. Já eram para estar todos prontos", declarou ele a jornalistas. "Acredito que daqui para frente vai se acelerar. É dever nosso chamar atenção do Estado que o negócio está muito devagar e poderia ser mais ágil e rápido", completou.

Campelo defendeu que o governo retire da matriz de responsabilidade da Copa projetos de mobilidade e de outras finalidades que ficam claro que não serão concluídos até o Mundial. "Deve -se retirar do documento empreendimentos que sabidamente não ficarão prontos a tempo... o governo terá que arcar com o prejuízo político e retirá-las para que não se fique com obras paralisadas em detrimento do dinheiro público e em prejuízo para a sociedade", declarou.

O ministro garantiu que a Copa do Mundo no Brasil não vai repetir os erros cometidos na preparação e obras do Pan-Americano do Rio de Janeiro, em 2007. Ele lembrou que muitas obras para o Pan estavam inacabadas, e, em cima da hora, o governo federal teve de intervir e colocar mais dinheiro.   Continuação...