August 10, 2012 / 2:42 PM / 5 years ago

Esquiva Falcão alcança 1a final olímpica do Brasil no boxe

4 Min, DE LEITURA

Esquiva Falcão é declarado vencedor sobre o britânico Anthony Ogogo após a semifinal de boxe na categoria de até 75 kg durante os Jogos Olímpicos de Londres. 10/08/2012Damir Sagolj

Por Pedro Fonseca

LONDRES, 10 Ago (Reuters) - O pugilista Esquiva Falcão tornou-se o primeiro brasileiro a chegar a uma final de boxe em Jogos Olímpicos com uma vitória incontestável por 16-9 sobre o britânico Anthony Ogogo, nesta sexta-feira, e vai disputar a medalha de ouro da categoria até 75kg na Olimpíada de Londres.

Esquiva, que com a vitória frustrou a torcida do britânico que lotou a arena do Excel Center, agora vai lutar pelo título com o japonês Ryota Murata, que o venceu na semifinal do Mundial do ano passado e contra quem o brasileiro esperava a chance de um reencontro desde então.

"Uma revanche contra ele na final da Olimpíada era tudo que eu esperava", disse Esquiva, de 22 anos. "Vai ser uma luta para entrar para a história."

Ter conquistado o melhor resultado da história do boxe brasileiro em Olimpíadas não passa pela cabeça de Esquiva como sendo suficiente, ao menos por enquanto. No Mundial de Baku, no Azerbaijão, o objetivo era conquistar a vaga para Londres, o que ele conseguiu ao terminar em 3o, mas dessa vez a meta sempre foi o título.

Consciente de que para ter chances de chegar ao ouro teria que enfrentar Murata pelo caminho, o brasileiro não esperou alcançar a decisão para estudar vídeos de lutas do adversário, o que tem feito diariamente desde que chegou a Londres.

A estratégia já está preparada pelo técnico do Brasil, João de Barros, tendo como base a tática do japonês de tentar resolver o combate sempre no último round -- antes ele cansa os adversários com vários ataques na linha de cintura. Na semifinal desta sexta contra o uzbeque Abbos Atoev, por exemplo, ele fez 8 de seus 13 pontos no round final.

"O japonês deixa para resolver no último round, mas o Esquiva vai abrir uma vantagem tão grande que não vai dar para ele pegar. São só 3 minutos", disse o técnico.

Além da tática, Esquiva se coloca hoje em um nível bem superior ao que estava no ano passado.

Na luta contra Ogogo, o primeiro round terminou empatado em 3-3 e o brasileiro conseguiu abrir vantagem de 9-6 ao final do segundo, quando o enfrentamento ficou aberto e os dois pugilistas trocaram uma sequência de golpes -- com vantagem para Esquiva.

O brasileiro voltou ainda mais agressivo no terceiro round e conseguiu boa sequência de golpes logo no início. O adversário foi à lona após escorregar e levar um gancho e, com a vantagem, Esquiva conseguiu administrar o confronto.

Esquiva X Esquiva

"Se lutar os dois Esquivas, hoje esse Esquiva aqui atropela o outro (de 2011). Hoje eu vim focado para buscar a medalha de ouro, o Esquiva de 2011 estava focado em buscar a classificação para a Olimpíada", disse.

"Eu já perdi para ele (Murata) uma vez, mas vim para a Olimpíada esperando por ele na final. Ele ganhou de mim no Mundial e me bateu muito, foi 22-12, e 10 pontos de diferença ele me bateu muito. Mas hoje eu posso falar que estou preparado e confiante", acrescentou.

Mesmo que perca a final, uma medalha de prata já será o melhor resultado da história do boxe brasileiro em Olimpíadas. A campanha em Londres também é a melhor do país na modalidade, com três pódios.

Antes de 2012 o Brasil tinha uma única medalha no boxe, o bronze de Servílio de Oliveira em 1968, conquistado na Cidade do México.

Yamaguchi Falcão, irmão de Esquiva, também vai lutar uma semifinal, na categoria meio-pesado (até 81kg), mais tarde nesta sexta-feira, contra o russo Egor Mekhontcev. Yamaguchi avançou para as semis com uma vitória sobre o campeão mundial Julio la Cruz Peraza, de Cuba, em sua luta anterior.

Como não há disputa de 3o lugar no boxe, em consequência do desgaste sofrido pelos atletas nos combates anteriores, os dois derrotados nas semifinais recebem uma medalha de bronze.

O Brasil já tinha conquistado um bronze com a pugilista Adriana Araújo, que foi derrotada na semifinal pela russa Sofya Ochigava na categoria até 60kg, na primeira Olimpíada com a presença do boxe feminino.

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