Jogos "inspiram uma geração" na Grã-Bretanha, mas quem paga?

sexta-feira, 10 de agosto de 2012 16:32 BRT
 

Por Mohammed Abbas

LONDRES, 10 Ago (Reuters) - Charlotte O'Brien, de 8 anos, começou a praticar ginástica na sala de casa usando meias velhas para imitar as faixas de apoio, enquanto Edward Smith, também de 8 anos, está determinado a entrar no ciclismo BMX.

"Não conhecia esportes como o BMX antes da Olimpíada. Estou adorando assistir. O futebol está ficando chato", disse Smith, um declaração ousada na Grã-Bretanha, fanática pela modalidade e tomada pela febre olímpica graças ao sucesso da delegação britânica.

Os organizadores de Londres 2012 podem ter tido algum sucesso em seu propósito declarado de "inspirar uma geração". Mas para crianças como Charlotte e Edward, que vivem em áreas urbanas de renda relativamente baixa perto do Estádio Olímpico, isso pode só trazer à tona como suas opções para alcançar a excelência esportiva são limitadas.

Se a Grã-Bretanha cresce no evento, está em terceiro no quadro de medalhas, sua economia está em recessão, e o governo conservador embarcou na pior política de austeridade em uma geração para lidar com um grande déficit no orçamento.

"Como vamos levar mais crianças para o esporte se o governo decidiu fazer todos estes cortes?", indaga Rumi Begum, de 21 anos, coordenador de esportes voluntário em Tower Hamlets, região pobre no leste londrino próxima do Parque Olímpico.

O legado dos Jogos e a questão de como fomentar mais atividades esportivas nas escolas britânicas despertou um debate vigoroso entre políticos, professores e pais.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro David Cameron pediu mais competitividade nos esportes escolares e um fim à cultura do "todos têm que conquistar prêmios", insinuando que alguns professores não "fazem sua parte".

Educadores reagiram com fúria à sua crítica, dizendo ser ultrajante lhes imputar culpa, dados os cortes nos fundos governamentais.   Continuação...