12 de Agosto de 2012 / às 22:23 / em 5 anos

Surpresas garantem recorde de pódios ao Brasil apesar das decepções

Judoca Sarah Menezes comemora medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres. 28/8/2012 REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Por Pedro Fonseca

LONDRES, 12 Ago (Reuters) - O futebol decepcionou mais uma vez e nenhum dos atletas brasileiros atuais campeões mundiais repetiu nos Jogos de Londres o desempenho esperado de apostas certas para alcançar a meta de pódios, mas o maior número de medalhas da história do Brasil acabou sendo conquistado graças às “surpresas”, que no momento decisivo souberam faturar uma vitória.

O país só conquistou as 17 medalhas (3 de ouro, 5 de prata e 9 de bronze) porque nomes desconhecidos, alguns de forma surpreendente até para seus treinadores, conseguiram equilibrar a balança depois que os atletas mais badalados e com melhores estrutura de treinamento e patrocínio ficaram pelo caminho.

O número de pódios na capital britânica é um recorde para o país, que teve 15 em Atlanta-1996 e Pequim-2008. No ouro, no entanto, o Brasil ficou atrás em relação a Atenas-2004, 5 contra 3.

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) tinha como meta só repetir o número de pódios dos Jogos da China, apesar de o país ter feito a maior e mais cara preparação dos atletas em todos os tempos para a Olimpíada da capital britânica. O objetivo era um salto para o top 10 do quadro de medalhas nos Jogos de 2016 no Rio de Janeiro.

Para ficar em 10o em Londres, a Austrália conquistou 7 medalhas de ouro entre um total de 35 pódios. O Brasil ficou em 22o.

Tivessem todas as maiores apostas olímpicas do Brasil cumprido a expectativa, o país teria chegado perto dos 10 primeiros já com quatro anos de antecedência.

“Nós chegamos aqui um dia antes da Olimpíada com a sensação de dever cumprido. Esporte é o detalhe do detalhe. Não foram só os nossos caras que não confirmaram o favoritismo, mas os de outros países também. Muitos campeões olímpicos e mundiais anteriores não cumpriram a expectativa”, disse o superintendente-executivo do COB, Marcus Vinicius Freire.

FRUSTRAÇÃO

A maior decepção ficou por conta do futebol, que segue sem jamais ter conquistado uma medalha de ouro. Com um time liderado por Neymar e que será a base da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, o Brasil era o franco favorito na final contra o México em Wembley --até levar um gol com menos de 30 segundos.

Resultado, 2 x 1 para o México e terceira derrota em três finais olímpicas.

Entre os campeões mundiais que não alcançaram o sucesso em Londres, Fabiana Murer, campeã mundial do salto com vara no ano passado, não chegou nem à final olímpica. Se tivesse repetido em Londres o seu recorde pessoal, ela seria campeã olímpica.

Sem a medalha de Murer, que reclamou do vento no Estádio Olímpico e nem fez seu último salto nas eliminatórias, o atletismo terminou uma Olimpíada sem medalha pela primeira vez desde 1992.

Cesar Cielo, recordista mundial dos 50m livre e que não perdia uma prova dessa distância em grandes competições desde o ouro em Pequim-2008, também não conseguiu repetir na final olímpica seu melhor tempo do ano e terminou com o bronze, quase como prêmio de consolação.

A dupla da vela Robert Scheidt e Bruno Prada também entra na lista do bronze de consolação, depois de ter conquistado três títulos mundiais da classe star mas terminar com o 3o lugar nos Jogos.

No vôlei de praia, que tinha expectativa de dois ouros e até quatro medalhas, os campeões do mundo em 2011 Alison/Emanuel e Juliana/Larissa terminaram com prata e bronze, respectivamente, e as outras duas duplas no país não chegaram às semifinais.

A lista de decepções conta ainda com a seleção feminina de futebol, que ficou fora do pódio depois de duas finais olímpicas seguidas, e o ginasta bicampeão mundial Diego Hypólito, que, assim como há quatro anos, sofreu um tombo e ficou fora da briga por medalhas.

SURPRESA

Até no judô, que cumpriu a meta pré-Olimpíada de conquistar quatro medalhas e pelo menos uma de ouro, foi devido às surpresas que a modalidade chegou lá e se tornou a maior medalhista do país em Olimpíadas-- 19 pódios, dois a mais que a vela.

Leandro Guilheiro, líder do ranking mundial e favorito absoluto ao título olímpico, não chegou nem a brigar pelo bronze, enquanto o duas vezes medalhista olímpico Tiago Camilo perdeu dois combates seguidos que o teriam levado ao pódio.

Sarah Menezes, cujo ouro no primeiro dia da Olimpíada criou uma expectativa exagerada sobre o desempenho da modalidade e dos atletas brasileiros como um todo nos Jogos, garantiu o título que os favoritos não conseguiram.

Enquanto Felipe Kitadai e Rafael Silva --este no último dia do judô-- surpreenderam para garantir a meta de quatro pódios.

“Da mesma forma que acontecem as surpresas negativas acontecem as surpresas positivas”, disse à Reuters o chefe da delegação brasileira em Londres, Bernard Rajzman.

Também no boxe --grande destaque brasileiro na Olimpíada com três medalhas, as primeiras desde um bronze em 1968-- o atual campeão do mundo Everton Lopes perdeu logo em seu primeiro combate e viu da arquibancada o sucesso dos irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão e de Adriana Araújo.

Adriana, que subiu ao pódio na primeira Olimpíada com a presença do boxe feminino, e Yamaguchi foram bronze. Esquiva foi mais longe e tornou-se o 1o finalista olímpico do Brasil na modalidade, conquistando uma prata após perder para o japonês Ryota Murata.

Entre as medalhas surpreendentes destacam-se ainda o ouro do ginasta Arthur Zanetti --como vice-campeão mundial em 2011 esperava-se que ele fosse ao pódio, mas o ouro batendo o chinês campeão em Pequim e tetracampeão mundial Chen Yibing ficou acima da expectativa-- e a prata do Thiago Pereira, que conseguiu bater Michael Phelps e subir ao pódio pela primeira vez após duas Olimpíadas perdendo sempre para os mesmos adversários.

O vôlei, apesar de o Brasil jamais ter sido descartado por ser uma potência mundial, também surpreendeu ao chegar às finais no masculino e no feminino, depois de enfrentar problemas antes e durante a competição.

O time feminino, campeão em Pequim-2008 e que repetiu o feito contra norte-americanas na final em Londres, só chegou às quartas de final porque a Turquia perdeu seu último jogo da primeira fase para os Estados Unidos.

O masculino, no entanto, saiu de um 6o lugar na Liga Mundial antes dos Jogos para o vice-campeonato olímpico contra a Rússia.

“Antes da Olimpíada ninguém colocava o Brasil nem cotado para medalha, então acho que, apesar da tristeza por termos chegado tão perto do objetivo maior, a medalha de prata é uma conquista para esse grupo”, disse o treinador Bernardinho.

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