A dois anos da Copa, Brasil falha na transparência dos preparativos

quarta-feira, 31 de outubro de 2012 19:55 BRST
 

Por Andrew Downie

SÃO PAULO, 31 Out (Reuters) - Quando o Brasil conquistou o direito de realizar a Copa do Mundo de 2014, autoridades prometeram que seria o melhor e mais transparente torneio já realizado, e que nenhum centavo do dinheiro do contribuinte seria destinado a obras em estádios e infraestrutura.

Hoje, a menos de dois anos do jogo inaugural, essas afirmações parecem contestáveis.

Organizadores criaram sites nos quais o público pode monitorar o ritmo das obras e os gastos, um exercício de transparência que as autoridades dizem ser inédito no Brasil.

Mas críticos dizem que a informação costuma ser contraditória ou desatualizada. O custo dos estádios e dos projetos para os transportes públicos disparou, e as autoridades ainda não divulgaram o orçamento para áreas importantes, como telecomunicações e policiamento.

O governo se gabou de que monitorar os gastos seria "tão fácil que qualquer cidadão poderia se sentar no seu sofá e ver onde o dinheiro estava sendo empregado", disse Gil Castello Branco, secretário-geral da organização não-governamental Contas Abertas, que monitora gastos públicos.

"Mas não importa se você está no sofá, na cozinha ou no escritório, ninguém sabe quanto isso está custando", acrescentou.

Os estouros orçamentários são comuns em nações que se preparam para realizar eventos como Copas e Olimpíadas. Mas alguns dizem que as questões de transparência e responsabilidade são particularmente preocupantes no Brasil, que tem um longo histórico de corrupção e mau planejamento.

"A Copa do Mundo reflete o estado do país onde ela acontece", disse Christopher Gaffney, professor norte-americano de arquitetura e urbanismo que vive no Rio e estuda os preparativos brasileiros para os grandes eventos. "E o governo brasileiro não tem um histórico forte de transparência."   Continuação...

 
Um trabalhador participa da renovação do Estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 no Rio de Janeiro. 30/10/2012 REUTERS/Sérgio Moraes