29 de Novembro de 2012 / às 13:12 / em 5 anos

Felipão tem fama de motivador e copeiro

Por Tatiana Ramil

Luiz Felipe Scolari gesticula durante sua apresentação oficial como técnico da seleção brasileira para a Copa de 2014, no Rio de Janeiro. 29/11/2012 REUTERS/Sergio Moraes

SÃO PAULO, 29 Nov (Reuters) - Ex-zagueiro de pouca qualidade técnica, Luiz Felipe Scolari tornou-se um técnico vencedor, com destaque internacional e fama de motivador e turrão.

Seu carisma e capacidade de unir um grupo de jogadores o levaram de volta à seleção brasileira 10 anos depois de comandar o título mundial na Copa de 2002. Assim como na época em que assumiu pela primeira vez o cargo, Felipão, de 64 anos, terá pouco tempo para preparar a equipe, agora com uma missão ainda mais desafiadora: vencer o Mundial de 2014 em casa.

Descendente de italianos, o gaúcho Felipão nasceu em Passo Fundo no dia 9 de novembro de 1948 e jogou como zagueiro em clubes do interior do Rio Grande do Sul, incluindo o Caxias, até chegar ao CSA, de Alagoas, onde foi campeão regional.

Foi no próprio CSA que o ex-zagueiro aguerrido, formado em Educação Física, iniciou a carreira como treinador, conquistando o título alagoano de 1982.

O reconhecimento nacional, no entanto, aconteceu após a conquista da Copa do Brasil de 1991 com o Criciúma e se consolidou definitivamente durante sua passagem pelo Grêmio, onde conquistou vários títulos, entre eles a Copa do Brasil de 1994, a Libertadores de 1995 e o Campeonato Brasileiro de 1996. Aquele time tinha um esquema objetivo de atuar, com um jogador rápido, Paulo Nunes, alimentando um centroavante alto, Jardel.

Em 1997, após dirigir o Júbilo Iwata, do Japão, transferiu-se para o Palmeiras, sendo vice-campeão brasileiro do mesmo ano. Campeão da Copa do Brasil em 1998 e da Libertadores no ano seguinte, Felipão se consagrava como um técnico de primeira linha.

Sempre vibrante à beira do campo, o treinador costuma reclamar da arbitragem e algumas vezes entrou em conflito com jogadores adversários, como no confronto com o Corinthians na Libertadores de 2000, quando foi flagrado por câmeras no vestiário durante um treino incentivando seus jogadores a provocarem o atacante Edílson.

PENTA E REBAIXAMENTO

Depois de uma rápida passagem pelo Cruzeiro, Felipão chegou à seleção brasileira em 2001, com pouco mais de um ano para a Copa da Coreia do Sul e Japão. Seu primeiro torneio no cargo foi uma decepção: o Brasil foi eliminado por Honduras nas quartas de final da Copa América da Colômbia.

Mas Felipão tinha na cabeça o time que queria e resolveu esperar pela recuperação do atacante Ronaldo, que havia sofrido uma séria lesão e correu risco de ter que encerrar a carreira. Pouco antes do Mundial, a torcida brasileira pedia insistentemente a convocação de Romário, porém Felipão seguiu firme em seus propósitos e deixou o polêmico jogador de fora.

Com Ronaldo, Rivaldo e o jovem Ronaldinho Gaúcho, o time brasileiro surpreendeu e venceu seus sete jogos na Copa, com Ronaldo como artilheiro. Aquele time, que jogou num esquema com três zagueiros, foi apelidado de “Família Scolari”, dada a união que se formou entre os atletas.

Após o título mundial, Felipão ficou famoso internacionalmente e foi dirigir a seleção portuguesa, onde teve passagem marcante. A equipe foi vice-campeã europeia em casa em 2004, quando Felipão inflamou a torcida e fez as pessoas colocarem bandeiras em suas casas, num clima parecido com o do Brasil em Copa do Mundo.

O treinador também levou a equipe às semifinais da Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, e deixou Portugal depois da Eurocopa de 2008 para treinar o Chelsea, mas seu período na Inglaterra durou apenas sete meses, já que ele acabou demitido pela direção do time londrino.

Em 2009 Felipão treinou um clube do Uzbesquistão e no ano seguinte retornou ao Palmeiras para uma passagem conturbada. Apesar de ter vencido a Copa do Brasil deste ano, o técnico deixou o clube em setembro após uma série de maus resultados que acabaram levando o clube paulista para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Durante este período, o treinador também entrou em choque com a diretoria do clube.

A convite do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, Felipão assumiu em setembro o cargo de consultor informal e voluntário para futebol e para o programa 2o Tempo do ministério.

De volta à seleção, o polêmico Felipão deve contar com o apoio da torcida para tentar repetir em casa o sucesso de 2002.

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