December 5, 2012 / 7:08 PM / 5 years ago

ENTREVISTA-Seedorf quer abrir portas para jogador europeu no Brasil

4 Min, DE LEITURA

Jogador do Botafogo, Clarence Seedorf, sorri durante entrevista concedida à Reuters no Rio de Janeiro. A contratação de um jogador europeu famoso era algo impensável no Brasil até o Botafogo trazer o holandês Seedorf, em junho, aos 36 anos. 30/11/2012Ricardo Moraes

Por Brian Homewood

RIO DE JANEIRO, 5 Dez (Reuters) - A contratação de um jogador europeu famoso era algo impensável no Brasil até o Botafogo trazer o holandês Clarence Seedorf, em junho, aos 36 anos.

Seis meses depois, o meia de origem surinamesa, com passagens por Ajax, Sampdoria, Inter de Milão, Real Madrid e Milan, além da seleção da Holanda, se tornou um jogador enormemente respeitado no Brasil, e uma figura paternal para seus colegas de equipe.

"Acho que abri uma porta, que é possível ter uma ótima experiência no Brasil", disse Seedorf à Reuters. "O Brasil geralmente era um país exportador, e agora eles demonstraram que também podem importar, e isso tem a ver com o crescimento econômico no país. Veja Neymar, que ainda está jogando . , um cara como ele já estaria na Europa há dois anos, então isso é positivo."

Há 25 anos, há um fluxo quase incessante de jogadores brasileiros para o exterior, com centenas deles deixando o país todos os anos para atuar em campeonatos mais lucrativos e organizados.

Até recentemente, a ideia de um movimento contrário era quase inimaginável.

A maioria dos latino-americanos se dirigia para Argentina, Chile, Colômbia e México, enquanto os brasileiros chegavam a se perguntar por que o país mais vitorioso do futebol precisaria de jogadores estrangeiros.

Essa situação mudou dramaticamente nos últimos anos. Os brasileiros passaram a respeitar os jogadores de outros países sul-americanos, e o boom econômico do Brasil revigorou o futebol local, permitindo lucrativos patrocínios.

Embora Seedorf seja casado com uma brasileira e conheça o país, sua mudança ainda gera estranheza, já que jogadores europeus geralmente encerram suas carreiras no Oriente Médio, Estados Unidos ou Austrália.

Clube Ambicioso

"Foi um longo processo até que eu chegasse à decisão final", contou. "O Brasil obviamente tem grande potencial, há muitas oportunidades aqui com a Copa das Confederações chegando, a Copa do Mundo chegando, a Olimpíada chegando, e desse ponto de vista eu estava muito interessado em estar nesse mercado."

"O Botafogo tem um projeto muito ambicioso, é um clube muito ambicioso, eles querem voltar para onde já estiveram antes, com um time jovem. Essa foi realmente uma grande motivação para mim depois de dez anos no Milan, encontrar um novo projeto entusiasmado que me ajudasse a levantar de manhã e dizer ‘lá vamos nós de novo', e manter o impulso."

"Devo dizer que não lamento minha escolha. Está sendo muito intenso , uma grande experiência, nova cultura no futebol e também na vida."

Apesar da sua popularidade, Seedorf precisou de tempo para se adaptar à nova vida. "Há muitos, muitos pequenos detalhes que são importantes para os jogadores. O treino é de manhã muito cedo, nove da manhã, por causa do sol bom, tantos aspectos que são parte de uma grande experiência, mas também um desafio para se adaptar."

"Há mais criatividade, há um pouco menos de disciplina taticamente, mas esse é exatamente o equilíbrio, e não há um jeito bom ou melhor, é um pouco diferente, mas também muito intenso."

As maiores surpresas para ele foram o calendário frenético e a enorme variação de público nas partidas.

"Eles jogam a cada três dias, mas o que mais me impressionou foram os torcedores, porque são todos loucos por futebol aqui, mas não vão realmente ao estádio", disse ele. "Isso é algo que me surpreendeu muito, porque para as partidas importantes eles enchem o Maracanã com 120 mil pessoas facilmente, aí de repente você tem só 3.000 pessoas indo ao estádio."

Mas qualquer preocupação de que ele poderia não se adaptar foram logo afastadas. O Brasil adotou o holandês rapidamente, e vice-versa.

"Sei que estou me empenhando muito para agregar valor ao Botafogo e ao futebol brasileiro", disse. "O Brasil inteiro me abraçou de uma forma positiva, me demonstrou muito amor, e só posso demonstrar gratidão por isso. Só posso tentar ser um exemplo dentro e fora do campo, atuando da melhor forma que eu puder, ajudando o futebol em geral."

Reportagem adicional de Felipe Araujo

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