Confissão pode complicar Armstrong na Justiça, dizem especialistas
Por Joseph Ax
NOVA YORK, 16 Jan (Reuters) - A confissão do uso de doping pode criar novos problemas jurídicos para o ex-ídolo do ciclismo mundial Lance Armstrong, segundo juristas.
O USA Today e outros meios de comunicação norte-americanos disseram na segunda-feira que Armstrong confessou o uso de substâncias proibidas durante entrevista a Oprah Winfrey, a ser transmitida nesta semana. Na terça-feira, a apresentadora, falando à rede CBS, confirmou o teor da entrevista.
O Departamento de Justiça dos EUA, que no ano passado arquivou uma investigação criminal de dois anos contra Armstrong, sem imputar acusações formais, pode agora retomar o caso, embora especialistas achem isso improvável.
Mas vários processos civis, inclusive um aberto pelo ex-colega de equipe Floyd Landis, podem ganhar força depois da confissão televisiva, de acordo com juristas.
"De um lado da balança estão as consequências jurídicas e a exposição financeira, e do outro lado estão as consequências em termos de relações públicas", disse Geoffrey Rapp, professor de direito da Universidade de Toledo, em Ohio. "Acho que ele decidiu que o valor do seu nome, e resgatar algo dele, supera os custos jurídicos."
Armstrong perdeu todos os seus títulos esportivos e foi banido do ciclismo depois que a agência antidoping dos EUA (Usada) divulgou em outubro um devastador relatório apontando-o como mentor de um sofisticado esquema para a distribuição de substâncias proibidas para ele e outros atletas.
Patrocinadores como Nike e Anheuser-Busch, que haviam ficado ao lado dele durante os vários anos de suspeitas sempre negadas por Armstrong, começaram a abandoná-lo logo depois do relatório da Usada, que foi depois corroborado pela União Ciclística Internacional (UCI).
De acordo com especialistas, Armstrong parece estar protegido das acusações de perjúrio e falsidade ideológica, já que sua última declaração jurada a autoridades foi em 2005. Desde então, eventuais crimes de perjúrio já estariam prescritos. Não se sabe, porém, se ele conversou em sigilo com investigadores federais nesse período. Continuação...

