Quadrilhas tentam manipular resultados de jogos de 50 campeonatos, diz Fifa

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 20:06 BRST
 

Por Brian Homewood

ZURIQUE, 16 Jan (Reuters) - Grupos criminosos estão tentando manipular resultados em cerca de 50 campeonatos nacionais de futebol, e todos os países estão vulneráveis, independentemente do seu grau de corrupção, segundo um dirigente da Fifa.

Ralf Mutschke, diretor de segurança da entidade que comanda o futebol mundial, disse que um homem condenado por manipular resultados lhe disse pessoalmente numa reunião secreta que os criminosos preferem essa atividade ao tráfico de drogas.

"Eu encontrei um manipulador de resultados, um manipulador de resultados condenado, aqui em Zurique, ao lado do zoológico, e ele me disse que o crime organizado está deixando o narcotráfico e se envolvendo com a manipulação de resultados, por causa do baixo risco e do alto lucro", afirmou Mutschke, que passou 33 anos trabalhando na polícia federal alemã antes de ser contratado pela Fifa, em 2012.

"Eu diria que há umas 50 ligas nacionais fora da Europa que são alvo do crime organizado no mercado de apostas", disse ele a jornalistas na sede da Fifa.

Num fato de grande preocupação para as autoridades do futebol, criminosos têm subornado jogadores, árbitros e dirigentes para manipular os resultados de partidas, obtendo enormes lucros com as apostas.

Mutschke disse que alguns países as quadrilhas controlam clubes inteiros. "Eles pagam os salários aos jogadores, mas também transferem jogadores para outros clubes... Sei também que árbitros estão sendo atraídos por manipuladores que lhes prometem um reforço na sua carreira quando eles se envolvem na manipulação de uma partida, porque esse manipulador tem bons contatos na federação."

O dirigente observou que o problema não se restringe a países com fama de corruptos. Um dos casos mais notórios ocorreu na Finlândia, e resultou em uma pena de dois anos de prisão para um cidadão de Cingapura, Wilson Raj Perumal.

"Há sempre a pergunta sobre qual é a região mais vulnerável do mundo", disse Mutschke. "Minha resposta é que não há nenhuma. Perumal foi à Finlândia e manipulou partidas lá, e tentou se infiltrar em um clube de lá. A Finlândia aparece como número 2 no ranking da transparência, então não é nada corrupta."