5 de Fevereiro de 2013 / às 16:08 / 5 anos atrás

Felipão diz que merece segunda chance na seleção

Por Brian Homewood

Técnico da seleção brasileira de futebol, Luiz Felipe Scolari, é visto durante coletiva de imprensa no estádio Wembley em Londres. Scolari se recusa a aceitar que tenha perdido seu toque mágico e acredita que merece a segunda passagem na seleção brasileira, apesar das críticas sobre seus resultados recentes como técnico. 05/02/2013 REUTERS/Stefan Wermuth

LONDRES, 5 Fev (Reuters) - Luiz Felipe Scolari se recusa a aceitar que tenha perdido seu toque mágico e acredita que merece a segunda passagem na seleção brasileira, apesar das críticas sobre seus resultados recentes como técnico.

Felipão levou o Brasil a seu quinto título mundial, em 2002, antes de conduzir Portugal à final da Euro 2004 e às semifinais da Copa do Mundo em 2006. No entanto, as coisas não foram tão bem para ele depois disso.

Nomeado novamente técnico do Brasil em novembro, Scolari tem pela frente uma partida com a Inglaterra, na quarta-feira, em seu retorno à equipe. Antes, ele ficou menos de uma temporada como treinador do Chelsea, unindo-se à longa lista de vítimas do proprietário do clube, Roman Abramovich.

Ele deixou então os clubes conhecidos e foi treinar o Bunyodkor, no Uzbequistão, ganhando um título da liga local, até voltar ao Brasil em 2010 para treinar o Palmeiras.

Embora sob o seu comando o Palmeiras tenha conquistado o título da Copa do Brasil no ano passado, Scolari deixou o clube pouco depois, quando a equipe definhava entre os últimos na tabela do Campeonato Brasileiro. Por fim, o time foi rebaixado.

Felipão, no entanto, vê com uma perspectiva diferente o seu desempenho recente.

“Quando eu saí, o Chelsea estava em posição de se qualificar para a Liga dos Campeões, era o terceiro no campeonato, e ainda estava na Copa da Inglaterra”, disse ele em entrevista coletiva no estádio de Wembley.

“(Os resultados) foram razoavelmente bem, meus problemas foram em outros lugares”, afirmou Scolari, que estava rouco, lutando contra uma dor de garganta. Ele também defendeu sua viagem ao Uzbequistão.

“O Bundyodor ganhou o campeonato (do Uzbequistão) invicto, com 28 vitórias e dois empates”, acrescentou. “O Uzbequistão está no topo de seu grupo das eliminatórias, e antes nunca tinha se qualificado. Portanto, nós devemos ter feito algo certo lá, não só eu, mas todos os brasileiros que estão lá.”

“O Palmeiras não tinha ganhado nada por dez anos, até o ano passado. Então, eu não sei por que não mereço outra chance com a seleção.”

TRABALHO ENORME

De volta para uma segunda temporada na seleção logo após a demissão de Mano Menezes, que ficou dois anos no cargo, Felipão tem o desafio de levar o Brasil a conquistar seu sexto título mundial em 2014, jogando em casa.

É um trabalho enorme para Scolari, já que o país caiu para o 18º lugar no ranking mundial da Fifa e os brasileiros ainda lembram a derrota na final da Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, para o Uruguai.

“A Alemanha sediou duas Copas do Mundo e ganhou uma, a Itália sediou duas Copas do Mundo e ganhou uma, o Brasil já sediou uma Copa do Mundo e não ganhou...”, disse.

Portugal também foi anfitrião da Euro-2004 e Felipão disse que iria aproveitar sua experiência naquele torneio para tentar unir o público brasileiro.

“Há uma série de semelhanças em fazer os fãs, o público, acreditar na equipe e também que podemos ser campeões do mundo em 2014”, afirmou.

“Em Portugal, nós tivemos que trabalhar com o público nos jogos amistosos para lhe dar o gosto da equipe nacional. Este é um caminho idêntico.”

O treinador disse que não haverá diferenças radicais em relação a seu antecessor, Mano Menezes, surpreendentemente demitido quando parecia ter encontrado sua equipe ideal.

“É uma continuação do trabalho anterior, mas com a minha maneira de ver as coisas”, disse. “Setenta ou 80 por cento desta equipe já foi convocada antes, então, eu não posso procurar desculpas, dizer que só tive uma sessão de treino com eles.”

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