28 de Março de 2013 / às 19:59 / 4 anos atrás

ENTREVISTA-Obra em estádio da abertura da Copa pode parar "em semanas", diz Sanchez

O dirigente Andrés Sanchez caminha ao lado da construção do estádio do Corinthians. REUTERS/Nacho Doce

Por Tatiana Ramil e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO, 28 Mar (Reuters) - O Corinthians vai interromper as obras no estádio de abertura da Copa do Mundo de 2014 dentro de “semanas” se não for liberado dinheiro do BNDES e de incentivos fiscais da prefeitura de São Paulo, segundo o conselheiro vitalício do clube e responsável pelo estádio, Andrés Sanchez.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social liberou 400 milhões de reais para a arena paulista --assim como fez com os outros estádios do Mundial-- porém não houve acerto com o banco que vai repassar esse valor a um fundo criado pelo projeto e liderado pela construtora Odebrecht .

Um fundo imobiliário foi constituído pelo projeto do estádio para tomar o financiamento do BNDES --já que nenhum clube pode pegar empréstimo de bancos federais--, mas há a necessidade de um banco repassador do dinheiro, no caso o Banco do Brasil, que não está aceitando as garantias dadas pelo fundo.

“Todo o dinheiro que está sendo posto aqui são empréstimos de bancos privados e quem paga juros é o Corinthians”, disse Sanchez em entrevista à Reuters na quarta-feira, numa construção ao lado de onde está sendo erguido o estádio, no bairro de Itaquera, zona leste da capital paulista.

“E o Corinthians tem um limite que está chegando ao fim, e não está deixando a Odebrecht contratar para terminar a obra, então corre risco de atrasar ou de não ficar pronto”, alertou. “O financiamento está sendo negociado há um ano e meio e o CID (incentivos) está dois anos atrasado.”.

O estádio vai custar 820 milhões de reais e a ideia do clube é usar o empréstimo de 400 milhões de reais do BNDES e mais 420 milhões de reais dos CIDs, certificados emitidos pela prefeitura para estimular investimentos em áreas determinadas da cidade. O investidor que tiver estes certificados em mãos pode utilizá-los como forma de pagamento de ISS e/ou IPTU no município de São Paulo.

Esses incentivos, no entanto, também não saíram. Sanchez, ex-presidente do Corinthians, disse ter falado com o prefeito Fernando Haddad (PT) e que a resposta dele é que “vai resolver o mais rápido possível”.

O problema em torno do repasse do BNDES parece ser mais complicado, e Sanchez está pressionando por uma solução rápida. “Eles (governo federal) falam que vão resolver e eu falo que vou parar a obra.”

Questionado quando as obras podem ser paralisadas, ele respondeu: “não vou dar uma data específica, mas é muito pouco tempo... semanas”.

Fontes disseram à Reuters que o projeto já gastou cerca de 30 milhões de reais com o pagamento de juros do dinheiro emprestado para iniciar as obras, que atingiram 67 por cento de conclusão neste mês.

Sanchez afirmou que, sem as exigências para a abertura da Copa, o estádio, que está previsto para ser concluído em dezembro deste ano, ficaria pronto em alguns meses e que já em 2014 o clube lucraria com as receitas dele, o que não vai acontecer se a arena abrir o Mundial.

Depois do evento, o Corinthians, que prevê lucrar cerca de 300 milhões de reais por ano com arrecadação do estádio, precisará de cinco a oito meses para reformar o estádio e retirar estruturas temporárias que serão contratadas exclusivamente para o jogo de abertura da Copa, segundo o dirigente.

E o Corinthians não vai pagar por isso, disse Sanchez. “Não sei quem vai pagar. Eu não vou fazer festa para você fazer festa.”

Os estádios viraram uma preocupação para a Fifa, depois de sucessivos atrasos e pelo fato de apenas dois dos seis estádios da Copa das Confederações, que ocorre no próximo mês de junho, terem ficado prontos no prazo determinado. Para o Mundial, a entidade que controla o futebol mundial reforçou aos organizadores que todas as 12 arenas devem ser finalizadas em dezembro deste ano.

Apesar dos problemas, Sanchez acredita que o Brasil fará a “melhor Copa da história”.

BANCOS

O impasse sobre a liberação do dinheiro para o estádio paulista está nas exigências do banco repassador, o Banco do Brasil. Entre as garantias negadas estão as receitas futuras do estádio e o valor do chamado “naming rights” da arena, que Sanchez espera chegar a 400 milhões de reais.

“Ele (banco) não entende que pode trocar as garantias, o que é ridículo”, disse. “Eles querem garantias maiores, mais específicas.”

As negociações com o Banco do Brasil para ser esse banco repassador giravam a uma taxa de 0,5 por cento, disseram fontes com conhecimento do assunto à Reuters. Mas Sanchez não descarta outras instituições. Ele chegou a citar Caixa Econômica Federal e Bradesco.

“A Caixa, o Bradesco e alguns outros bancos trabalham especificamente com fundo imobiliário, e aqui não deixa de ser um fundo imobiliário, então eles têm muito mais experiência. Isso pode facilitar, mas não é que está solucionado”, disse ele, negando que esteja negociando com a Caixa, que é o principal patrocinador das camisas do Corinthians.

Um porta-voz do Banco do Brasil em Brasília disse que a transação foi aprovada há oito meses, não quis comentar se as garantias oferecidas cumprem com as regras do banco ou se estavam buscadas outras garantias.

Uma fonte com conhecimento da situação afirmou à Reuters que as garantias “não atenderam aos termos do banco” e que o BB pediu ao fundo responsável pelo estádio do Corinthians garantias similares às pedidas para a reforma do Beira Rio, em Porto Alegre, que foram cumpridas pela Andrade Gutierrez, construtora a cargo do projeto.

A Caixa não comentou o assunto, mas o estádio do Corinthians se encaixa perfeitamente nas ambições da Caixa em investir em rodovias, ferrovias, portos e projetos de construção civil. Atualmente, o banco está preparando o desembolso de 45 bilhões de reais em novos créditos para projetos de infraestrutura, disse à Reuters o vice-presidente de Finanças do banco, Márcio Percival.

Reportagem adicional de Brian Winter

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