ENTREVISTA-Obra em estádio da abertura da Copa pode parar "em semanas", diz Sanchez

quinta-feira, 28 de março de 2013 17:40 BRT
 

Por Tatiana Ramil e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO, 28 Mar (Reuters) - O Corinthians vai interromper as obras no estádio de abertura da Copa do Mundo de 2014 dentro de "semanas" se não for liberado dinheiro do BNDES e de incentivos fiscais da prefeitura de São Paulo, segundo o conselheiro vitalício do clube e responsável pelo estádio, Andrés Sanchez.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social liberou 400 milhões de reais para a arena paulista --assim como fez com os outros estádios do Mundial-- porém não houve acerto com o banco que vai repassar esse valor a um fundo criado pelo projeto e liderado pela construtora Odebrecht .

Um fundo imobiliário foi constituído pelo projeto do estádio para tomar o financiamento do BNDES --já que nenhum clube pode pegar empréstimo de bancos federais--, mas há a necessidade de um banco repassador do dinheiro, no caso o Banco do Brasil, que não está aceitando as garantias dadas pelo fundo.

"Todo o dinheiro que está sendo posto aqui são empréstimos de bancos privados e quem paga juros é o Corinthians", disse Sanchez em entrevista à Reuters na quarta-feira, numa construção ao lado de onde está sendo erguido o estádio, no bairro de Itaquera, zona leste da capital paulista.

"E o Corinthians tem um limite que está chegando ao fim, e não está deixando a Odebrecht contratar para terminar a obra, então corre risco de atrasar ou de não ficar pronto", alertou. "O financiamento está sendo negociado há um ano e meio e o CID (incentivos) está dois anos atrasado.".

O estádio vai custar 820 milhões de reais e a ideia do clube é usar o empréstimo de 400 milhões de reais do BNDES e mais 420 milhões de reais dos CIDs, certificados emitidos pela prefeitura para estimular investimentos em áreas determinadas da cidade. O investidor que tiver estes certificados em mãos pode utilizá-los como forma de pagamento de ISS e/ou IPTU no município de São Paulo.

Esses incentivos, no entanto, também não saíram. Sanchez, ex-presidente do Corinthians, disse ter falado com o prefeito Fernando Haddad (PT) e que a resposta dele é que "vai resolver o mais rápido possível".

O problema em torno do repasse do BNDES parece ser mais complicado, e Sanchez está pressionando por uma solução rápida. "Eles (governo federal) falam que vão resolver e eu falo que vou parar a obra."   Continuação...

 
O dirigente Andrés Sanchez caminha ao lado da construção do estádio do Corinthians. REUTERS/Nacho Doce