ENTREVISTA-Brasil quer usar Copa para tirar tropa de choque dos estádios

sexta-feira, 5 de abril de 2013 18:38 BRT
 

Por Iain Rogers

MADRI, 5 Abr (Reuters) - O Brasil espera que a Copa do Mundo de 2014 ajude o país a abandonar a tradicional prática de confiar o policiamento dos estádios às tropas de choque das PMs, disse um dirigente do comitê organizador local na sexta-feira.

Como anfitrião, o Brasil é obrigado pela Fifa a usar comissários para controlar as torcidas, mantendo a polícia apenas de prontidão para o caso de distúrbios graves. O CEO do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Trade, disse que a intenção é adotar isso permanentemente.

"Queremos ter comissários dentro do estádio, como outros países estão fazendo", disse Trade à Reuters em Madri, onde ele participa de um evento da Real Federação Espanhola de Futebol.

"É obrigatório fazer isso na Copa do Mundo, e talvez pudéssemos manter esse sistema depois", acrescentou. "A polícia ficará lá dentro do estádio, mas não com mil homens. Teremos mil comissários, e talvez cem policiais para reagir se houver algum tipo de crime."

A tropa de choque é uma presença constante em estádios brasileiros desde a década de 1980, quando a violência entre torcidas começou a se agravar.

No Estado do Rio de Janeiro, as autoridades criaram em 1991 uma unidade policial especialmente treinada para atuar em estádios, e policiais a cavalo costumam patrulhar o entorno do Maracanã.

Trade disse que o comitê organizador está colaborando com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e com o governo federal para criar uma nova categoria profissional de comissários de estádios, o que permitiria que a polícia se dedicasse a manter a ordem no lado de fora.

"É também melhor para eles", afirmou. "O problema é dar a oportunidade à polícia para não estar dentro do estádio, e sim cuidando das ruas, das estações de metrô e assim por diante. E dentro do estádio teríamos apenas segurança privada. Não estamos preocupados com os procedimentos policiais, só precisamos ter melhor controle sobre as pessoas dentro (dos estádios)".   Continuação...