8 de Maio de 2013 / às 15:38 / em 4 anos

Ferguson conquistou sucesso sobre alicerce da ética e trabalho

Por Mitch Phillips

LONDRES, 8 Mai (Reuters) - Alex Ferguson é um cavaleiro da realeza, rico além de seus sonhos, e reverenciado e respeitado em todo mundo. Ainda assim, sua forma de encarar a vida permanece a mesma dos tempos em que trabalhava nos estaleiros de Clydeside, na década de 1960.

Trabalho duro e com orgulho, respeito pelos colegas e recusar-se a recuar quando você sente que está certo são os valores que Ferguson aprendeu quando um menino nas ruas difíceis do pós-guerra em Glasgow, e que foram cultivados como aprendiz de ferramenteiro em um dos ambientes de trabalho mais implacáveis possíveis.

Como muitos grandes técnicos, Ferguson tem uma certa frustração por seus dias dentro de campo terem se tornado apenas um apêndice de sua carreira, mas ele não foi um jogador qualquer. O Rangers pagou uma taxa de registro de 65.000 libras (mais de 100 mil dólares) para tirar o atacante magrelo, mas destemido, do Dunfermline, em 1966.

Atuar no clube de coração deveria ter sido o auge de sua carreira como jogador, mas as coisas não correram como esperado. Ferguson foi responsabilizado por uma derrota na final da Copa da Escócia e deixou o time, irritado e insatisfeito. Sua carreira caminhou para um fim no Ayr United, em 1974.

O desafio de administrar os egos conflitantes de seu atual elenco no Manchester United podem parecer uma brincadeira em comparação com as dificuldades do início de sua aventura como treinador, aos 39 anos, como técnico em tempo parcial do pequeno clube escocês East Stirling. Mas os valores que ele estabeleceu no começo permanecem até agora.

Conhecido como durão, poucos atravessaram seu caminho e permaneceram para contar a história, mas no âmago de seu sucesso está o amor puro e duradouro pelo futebol.

Aos 71 anos, com um exército de funcionários à sua disposição, Ferguson ainda é o primeiro a chegar ao campo de treinos do United. Ele pode não ter mais o papel de comandar os treinamentos na prática, mas sua presença está em todo lugar.

Ele apresenta o mesmo entusiasmo juvenil tanto assistindo à mais recente safra de jogadores de 16 anos num treino como no comando da primeira equipe em uma partida da Liga dos Campeões assistido por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo.

TRANSFORMAÇÃO

Muitos desses telespectadores, e torcedores do United cujas lembranças começam com o advento da Premier League em 1992, provavelmente nunca vão entender completamente a profundidade da transformação fundamental, e certamente permanente, que Ferguson levou ao clube.

Hoje, o United é um gigante dentro e fora do campo, com presença de sua marca em todo o mundo garantindo uma receita que permite uma constante troca de jogadores fundamental para se manter conquistando troféu após troféu.

Em um esporte onde os técnicos, mesmo os bem-sucedidas, têm uma vida útil efêmera, o reinado de mais de 26 anos de Ferguson é impressionante.

Ele foi condecorado e homenageado por pessoas e instituições de todo o mundo e situa-se orgulhosamente entre os nomes mais influentes do futebol em todos os tempos.

Ferguson vai deixar o Old Trafford tendo conquistado 25 troféus importantes e tendo estabelecido um nível tão alto de consistência que o United nunca terminou fora dos três primeiros colocados na Premier League.

No entanto, quando ele chegou do Aberdeen para substituir Ron Atkinson em novembro de 1986, o United era muito diferente.

O clube não só estava a 19 anos sem ganhar um campeonato, mas mal tinha lutado por ele. Eram apenas cinco temporadas entre os três primeiros, e, claro, o rebaixamento em 1974.

Apesar de ser o clube mais popular no país, e sem dúvida um dos mais famosos no mundo, o United tinham apenas um punhado de Copas da Inglaterra para exibir.

Terminando em segundo em sua primeira temporada completa no comando, em 1986/87, Ferguson depois decepcionou com um 11º e 13º nas campanhas posteriores, quando o Campeonato Inglês ainda não havia se transformado na Premier League. Ele correu risco de ser demitido pela segunda vez na carreira, após a demissão do St Mirren em seus dias de principiante.

Ferguson estava tentando construir uma base, mandando embora alguns jogadores consagrados e populares em sua tentativa de incutir seus valores e remover a cultura do consumo de álcool e das apostas que ele sabia que prejudicava as perspectivas do clube. Mas a paciência do United não era sem fim.

Poucos torcedores vão agora admitir a campanha pedindo a saída do treinador, mas houve essa cobrança quando o time ocupava a metade inferior da tabela.

Um gol de Mark Robins contra o Nottingham Forest na terceira rodada da FA Cup de 1990 salvou seu trabalho e, certamente, o triunfo do United na final, o primeiro troféu de Ferguson em quatro temporadas, garantiu tempo ao escocês para se tornar um ícone não apenas no clube, mas no futebol mundial.

A conquista do Campeonato Inglês depois de 26 anos de espera finalmente chegou em 1993, impulsionado pela contratação de Eric Cantona, considerado por muitos como o melhor negócio feito por Ferguson e o catalisador para grande parte do sucesso que se seguiu.

A partir de então, foi uma chuva de títulos, tendo como ponto alto a tríplice coroa de 1999 com a Premier League, a FA Cup e Liga dos Campeões.

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