June 21, 2013 / 11:16 PM / in 4 years

Felipão diz que não se pode "só sacrificar" governantes

4 Min, DE LEITURA

Por Pedro Fonseca

SALVADOR, 21 Jun (Reuters) - O técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, afirmou nesta sexta-feira que os governantes também buscam melhorar o Brasil e não podem ser apenas sacrificados pelos problemas que desencadearam uma onda de protestos por várias cidades do país.

Jogadores do Brasil incluindo Neymar, o principal nome do time que disputa neste mês a Copa das Confederações, se manifestaram esta semana a favor dos protestos, que têm reivindicações que vão da melhoria dos serviços públicos à rejeição dos gastos com o Mundial de 2014.

O treinador já havia dito que todos os atletas são livres para expressar suas opiniões, mas que teriam que arcar com as consequências dos atos. Nesta sexta-feira, Felipão fez sua própria avaliação dos protestos, que tomaram as ruas do país e se tornaram a principal dor de cabeça de governo e da Fifa para a Copa do Mundo.

"Todos nós queremos o nosso país com justiça, com tudo que imaginamos, e também as pessoas que estão no governo imaginam isso e tentam fazer isso. Nós não podemos só sacrificar", disse Felipão em entrevista coletiva em Salvador, onde o Brasil enfrenta a Itália no sábado.

"Temos que olhar também que as pessoas que estão lá também pensam dessa forma. Muitas vezes as situações não evoluem para isso. Nós todos queremos e vamos trabalhar para isso juntos, e trabalhar juntos é sabermos onde é que vamos atacar alguns pontos para que daqui a um ano, dois, cinco, dez, a gente possa mudar. Não em um dia."

As manifestações, que começaram como um movimento contra o aumento da tarifa de ônibus nas principais cidades do país, rapidamente encamparam temas como o combate à corrupção e repúdio aos gastos do governo com a realização da Copa do Mundo. Apesar de os protestos serem na maioria pacíficos, em muitas cidades houve confrontos com a polícia e depredações.

Em Salvador, ao menos dois ônibus comuns foram incendiados por manifestantes e dois micro-ônibus a serviço da Fifa foram alvo de pedradas na quinta-feira, pouco antes da partida Uruguai x Nigéria, o primeiro jogo do torneio realizado na capital baiana.

Torcedores que seguiam para a partida na Arena Fonte Nova se viram no meio do confronto, alguns precisando fugir das bombas de efeito moral disparadas pela polícia. Problemas semelhantes também ocorreram em jogos em Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza e no Rio de Janeiro.

No jogo Brasil x México, em Fortaleza, torcedores fizeram questão de ressaltar que o protesto não era contra a seleção e deram uma demonstração de apoio ao time com uma verdadeira festa desde o hino nacional.

Antes da declaração de Felipão, o lateral-direito Daniel Alves, um dos jogadores mais experientes do grupo e considerado líder dentro e fora das quatro linhas, fez um pedido para que o tema manifestações fosse deixado de fora do ambiente da seleção brasileira.

"Acho que já nos expressamos bastante sobre o que está sucedendo no Brasil. Como as nossas ideias já foram expostas, a gente gostaria de focar no futebol, focar no grande jogo que a gente tem no dia de amanhã", disse o jogador do Barcelona, que inclusive fez um pedido aos jornalistas para que não perguntassem sobre o assunto.

"É uma situação muito delicada e a gente prefere não estar sempre, todos os dias, falando dela ou publicamente debatendo, porque aqui não é o lugar correto para isso."

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